Secas, queimadas, ondas de calor e enchentes deixaram de ser eventos isolados e se tornaram rotina no Brasil. A crise climática, impulsionada por escolhas políticas e econômicas que priorizam o lucro sobre a vida, já atinge de forma direta a saúde física e mental de milhões de crianças e famílias.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 40 milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão expostos a dois ou mais riscos climáticos, e 8,6 milhões correm risco de falta de água. Esse cenário é resultado de um modelo de desenvolvimento que a REPAM-Brasil vem denunciando há anos — um modelo que avança sobre os territórios amazônicos com grandes obras e projetos de exploração sem respeitar os limites ambientais nem as populações tradicionais.

Desde 2023, quando bispos e lideranças da Igreja estiveram em Brasília para alertar sobre os impactos de projetos como a BR-319, a exploração de petróleo na Amazônia e a Ferrogrão, a REPAM tem insistido: a destruição tem consequências humanas, sociais e espirituais.

“O que estamos vendo agora — secas históricas, doenças respiratórias em crianças, escassez de água e deslocamentos forçados — é o resultado de alertas ignorados. A crise climática não é mais uma previsão, é a realidade do presente”, afirma Dom Pedro Brito, vice-presidente da REPAM-Brasil.
A rede reforça que a flexibilização do licenciamento ambiental, em tramitação no Congresso, agrava esse cenário. O PL 2.159/2021 propõe autorizações automáticas e autodeclarações para empreendimentos de médio potencial poluidor — um retrocesso que ameaça desmontar o principal instrumento de controle ambiental do país.
“A REPAM avisou. E seguimos avisando: não existe desenvolvimento possível sobre a morte dos rios, das florestas e das crianças que adoecem com a fumaça e a falta de água”, diz Dom Pedro.
A organização reafirma seu compromisso de seguir junto aos povos da Amazônia, denunciando injustiças e propondo caminhos baseados na Ecologia Integral e no bem comum, especialmente neste caminho rumo à COP30, em Belém (PA), onde a voz da Amazônia precisa ser escutada como voz profética e de esperança.

