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Iniciativa articula igrejas, povos tradicionais, movimentos sociais, artistas, cientistas e comunicadores; retomada reforça urgência climática, protagonismo dos territórios e missão da Igreja em saída

A REPAM-Brasil retomou hoje a campanha Amazoniza-te, um chamado público à consciência, à mobilização e à ação concreta em defesa da Amazônia e de seus povos. Lançada originalmente em 2020, em plena pandemia, a iniciativa nasceu da escuta dos territórios diante do avanço do desmatamento, das queimadas, da mineração predatória, das grilagens e do desmonte de políticas de proteção. Agora, às vésperas da COP30, volta como programa permanente para somar incidência, formação e comunicação numa agenda comum que une fé, ciência e direitos humanos.

Criada como articulação coletiva, a Amazoniza-te já conectou dezenas de organizações eclesiais e da sociedade civil; alcançou milhares de pessoas com vídeos, lives e materiais formativos; promoveu dezenas de debates públicos no Brasil e no exterior; e impulsionou denúncias e conteúdos de sensibilização adotados por comunidades, pastorais e redes de comunicação. A retomada aponta para três eixos complementares:

  1. Urgência Planetária – tornar conhecida, no Brasil e no mundo, a gravidade socioambiental na Amazônia e suas implicações climáticas;
  2. Protagonismo dos Povos – dar visibilidade às vozes e soluções dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e das juventudes;
  3. Igreja em Saída – fortalecer a missão, a espiritualidade do cuidado e a incidência pública inspiradas na Casa Comum.

Durante o encontro Irmã Irene, secretária-executiva da REPAM, resgatou a origem e o sentido do verbo “amazonizar”:

Amazoniza-te é mais que um slogan: é um chamado pessoal e coletivo para sentir com a Amazônia, denunciar as violências e cuidar da Casa Comum com responsabilidade, solidariedade e justiça socioambiental. O termo, usado desde 1986 por Dom Moacir Grechi, convoca cada pessoa e instituição a assumir compromisso concreto com a vida dos povos amazônicos.”

Dom Possidônio, referência histórica e teológica na região, sublinhou o fundamento de fé dessa convocação:

Deus viu que a Amazônia era boa. Defender a floresta e seus povos é expressão de fé encarnada: criação, revelação e salvação caminham juntas. Amazonizar a Igreja significa alargar a tenda, sair ao encontro e converter práticas pastorais para que o Evangelho gere vida plena na Amazônia.”

O Reverendo Iuri Lima destacou a dimensão ecumênica e a mobilização em rede:

“Esta retomada é mãos dadas entre igrejas e sociedade. Quando unimos espiritualidade, ciência e a voz dos territórios, nossa comunicação vira cuidado e incidência. Unidade gera impacto — e é isso que precisamos para virar o jogo na Amazônia.”

A intensificação dos ataques socioambientais, o crescimento dos conflitos nos territórios e a proximidade da COP30 tornam a retomada da campanha ainda mais urgente e estratégica. A Amazoniza-te volta com o propósito de ampliar o alcance e a compreensão pública sobre a complexidade amazônica, oferecer materiais de reflexão e formação, organizar mobilizações e campanhas com metas e calendário comuns, além de conectar saberes tradicionais, acadêmicos e pastorais em ações concretas de cuidado, monitoramento e incidência em defesa da Casa Comum.

A REPAM reforça o chamado para que cada pessoa, instituição e comunidade assuma o compromisso de amazonizar-se e somar forças em defesa da vida. Nos vemos na COP30 — para mobilizar, amazonizar e fazer de Belém um clamor vivo pela Amazônia e por seus povos.

Confira aqui a apresentação do encontro

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