A Campanha da Fraternidade 2025 inicia sua caminhada trazendo um tema urgente e essencial: a ecologia integral. Inspirada pela Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, e pelos desafios socioambientais que enfrentamos, a campanha convida toda a sociedade a uma reflexão profunda sobre a relação entre o ser humano e a Casa Comum.
Para aprofundar esse tema, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) recebeu Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo de Palmas, Presidente do Regional Norte 3 da CNBB e Vice-Presidente da REPAM-Brasil, para um diálogo sobre os desafios e compromissos da Igreja com a conversão ecológica.
Uma escolha motivada por urgências históricas
Segundo Dom Pedro, diversos fatores contribuíram para a escolha do tema deste ano. Entre eles, os 800 anos do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, que inspirou a Laudato Si’, e a realização da COP 30 em Belém, no coração da Amazônia. Além disso, a realidade socioambiental cada vez mais crítica exige que olhemos para a ecologia como uma questão de justiça e responsabilidade cristã.
O pecado ecológico e a responsabilidade cristã
Durante o encontro, Dom Pedro abordou um conceito importante: o pecado ecológico. Esse termo, formulado durante o Sínodo da Amazônia de 2019, refere-se a toda ação humana que degrada a criação, como o desmatamento, a poluição dos rios, a contaminação dos alimentos por agrotóxicos e o descarte inadequado de resíduos.
Dom Pedro ressaltou que, assim como nos preocupamos com pecados morais e sociais, devemos também assumir a responsabilidade pelos impactos ambientais de nossas ações. “A natureza é viva e sente os efeitos de nossas atitudes. Confessar nossos pecados ecológicos é um passo importante na caminhada de conversão”, afirmou.
Ecologia e Evangelho: uma conexão essencial
A relação entre a mensagem de Jesus e o cuidado com a natureza é evidente ao longo de todo o Evangelho. Dom Pedro lembrou que Cristo sempre utilizou imagens da natureza para ensinar: falou das sementes, dos lírios do campo, dos pássaros do céu e da videira. “O próprio Jesus viveu plenamente a experiência humana na Terra. Seu corpo era feito dos mesmos elementos que compõem o solo, a água e o ar que respiramos. Não há separação entre o cuidado com a criação e a vida cristã”, destacou o arcebispo.
A Amazônia e o impacto global das mudanças ambientais
A discussão também abordou a relação entre a destruição da Amazônia e as mudanças climáticas globais. Fenômenos como os “rios voadores” demonstram como o desmatamento afeta o clima em todo o planeta, influenciando até mesmo a ocorrência de secas e chuvas intensas em regiões distantes da floresta.
“O desmatamento não é um problema só da Amazônia. Ele afeta o mundo inteiro. A terra está cansada, como bem disse Dom Mário Delpini, arcebispo de Milão. Precisamos dar um descanso à criação e repensar nosso modelo de desenvolvimento”, alertou Dom Pedro.
Compromisso com a casa comum
A Campanha da Fraternidade 2025 convida a todos para um compromisso efetivo com a conversão ecológica. Isso significa mudar nossos hábitos diários, promover a sustentabilidade, denunciar crimes ambientais e exigir políticas que protejam a biodiversidade.
A REPAM-Brasil reforça seu compromisso em mobilizar a Igreja e a sociedade na defesa da Amazônia e dos povos que nela habitam. Como nos lembra Dom Pedro Brito, “não temos uma segunda casa, a não ser o céu. O cuidado com a Terra é um ato de fé, um testemunho cristão e uma necessidade urgente”.
Que essa quaresma seja um tempo de reflexão e transformação. Que possamos nos revestir de um novo espírito, guiados pela esperança da Páscoa e pelo compromisso com um futuro mais justo e sustentável.