Neste sábado (15), durante o Terceiro Diálogo Ministerial de Alto Nível sobre Financiamento Climático na COP30, em Belém, o Secretário Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, reforçou que o financiamento climático segue no centro da capacidade global de enfrentar a crise socioambiental. Suas declarações destacaram a urgência de ampliar recursos, fortalecer a confiança entre as Partes e garantir que países mais vulneráveis tenham acesso real e previsível às condições necessárias para adaptação e transição justa.
“O financiamento climático é o motor da ação climática. É o que transforma planos em progresso, e ambição em implementação.”
Segundo Stiell, apesar dos avanços desde o Acordo de Paris — com crescimento nos fluxos públicos e privados, novas parcerias e investimentos crescentes em energia limpa e resiliência — ainda há uma distância significativa entre o que é necessário e o que tem sido entregue. Muitas nações em desenvolvimento, especialmente pequenos Estados insulares e países menos desenvolvidos, seguem enfrentando barreiras para acessar até mesmo os recursos já comprometidos.
O dirigente lembrou que ampliar e tornar mais acessível o financiamento climático é responsabilidade compartilhada, e reiterou que este não é um gesto de caridade, mas sim um imperativo econômico global:
“Financiamento climático não é caridade – é economia inteligente. Porque a ação climática, sustentada pelo financiamento climático, é a história de crescimento do século 21.”
Entre as medidas defendidas, Stiell destacou a necessidade de:
- triplicar os fluxos dos fundos climáticos da UNFCCC até 2030;
- simplificar o acesso aos recursos e reduzir custos de transação;
- ampliar mecanismos de financiamento misto e instrumentos que não gerem mais dívidas;
- enfrentar barreiras sistêmicas como altos custos de capital e limitações fiscais.
Para ele, quando o financiamento flui “rápida e justamente”, aumenta a ambição, aceleram-se as implementações e multiplicam-se benefícios diretos para a população — como empregos, saúde, proteção dos territórios e resiliência comunitária.
Pronunciamento na plenária: apelo por compromisso e clareza na reta final da primeira semana
No encerramento das atividades deste sábado, durante a sessão plenária, Stiell fez um apelo direto às Partes para que avancem com determinação rumo a consensos que permitam um resultado robusto em Belém.
Reconhecendo o cansaço das delegações, ele enfatizou que esta fase da COP é decisiva para preparar o terreno político da segunda semana, quando os ministros assumem as negociações:
“Eu sei que vocês estão cansados. Mas o tempo está correndo. Para receber, vocês precisam dar. Precisamos dar mais.”
O Secretário Executivo reforçou que muitos temas que não são prioridade para alguns países são urgências vitais para outros — e que sem disposição real ao diálogo e à construção de consenso, a COP30 não entregará os resultados que o mundo espera.
Seu recado foi direto:
é hora de escutar, ceder, construir confiança e mostrar que a cooperação climática iniciada em Paris segue viva.
Amazônia no centro da atenção global
Em suas redes sociais, Stiell também reconheceu a importância simbólica e estratégica da COP30 ocorrer na Amazônia, destacando sinais positivos de aceleração de esforços e insistindo na necessidade de aproximar cada vez mais o processo da COP da economia real, para que os benefícios da ação climática alcancem bilhões de pessoas.
A REPAM, presente em Belém ao longo da COP30, reforça a relevância dessas declarações para os povos amazônicos, que vivem diariamente os impactos das desigualdades socioambientais e das mudanças do clima. Para a Rede, ampliar o financiamento climático e garantir justiça no acesso aos recursos é condição indispensável para proteger os territórios, fortalecer as comunidades e assegurar o direito ao futuro para todas e todos.

