Em coletiva de imprensa de encerramento da COP30, realizada na noite de 22 de novembro em Belém, o Secretário Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, reforçou que o encontro global demonstrou, mais uma vez, que a cooperação internacional em torno do clima segue viva, firme e crescente, mesmo diante de pressões políticas e retrocessos de alguns governos.
Segundo Stiell, enquanto um país retrocedeu, “194 nações permaneceram solidárias, comprometidas e alinhadas com a cooperação climática”. Para ele, a mensagem central do Mutirão de Belém é inequívoca: a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis e para sociedades mais resilientes já está em curso — é irreversível e está ganhando velocidade.
Avanços da Agenda de Ação: impactos reais para populações vulneráveis
Stiell destacou que a Agenda de Ação, parte essencial do Acordo de Paris, mostrou resultados expressivos nesta COP:
- US$ 1 trilhão direcionado para redes limpas, ampliando infraestrutura energética sustentável;
- Centenas de milhões de hectares de florestas, terras e oceanos protegidos ou restaurados;
- Mais de 400 milhões de pessoas fortalecidas em resiliência climática.
Esses números refletem iniciativas que têm impacto direto sobre povos e territórios vulneráveis — incluindo comunidades amazônicas — e apontam caminhos concretos para fortalecer justiça climática em escala global.

Pontos centrais do texto negociado
O Secretário Executivo destacou três pilares essenciais acordados pelos países:
1. Avanços unânimes em temas estruturantes
Os 194 países aprovaram consensos importantes sobre:
- transição justa;
- igualdade de gênero;
- triplicação do financiamento para adaptação.
Tais medidas, segundo Stiell, têm impacto direto sobre trabalhadores, mulheres, meninas e populações vulneráveis dos países em desenvolvimento — realidade profundamente vivida na Pan-Amazônia.
2. Sinais políticos inéditos
O Mutirão de Belém enviou um recado claro:
- O Acordo de Paris funciona e os países decidiram avançar mais rápido.
- A meta de 1,5°C permanece como norte inequívoco da ação climática global.
- A transição para economias de baixas emissões é a tendência definitiva do futuro.
Stiell reforçou que governos estão intensificando ações não por obrigação, mas porque isso representa interesse nacional, soberania, desenvolvimento e crescimento econômico.
3. A COP30 acelerou o passo
O texto final reafirma decisões históricas das COP anteriores e determina novos compromissos:
- Parágrafo 29: todos os atores — governos, empresas, sociedade civil — devem acelerar e ampliar a ação climática.
- Parágrafo 33: países deverão atualizar e implementar seus planos climáticos nacionais de forma mais rápida e cooperativa.
- Parágrafo 52: avança a operacionalização da nova meta global de financiamento climático — aspecto crucial para viabilizar adaptação e mitigação em países mais afetados pela crise.
Frustrações e desafios permanecem, mas a direção não muda
Stiell reconheceu a insatisfação de diversos países e grupos sociais que defendiam maior rapidez em temas como a eliminação dos combustíveis fósseis e o financiamento climático.
Ainda assim, reafirmou que a rota global está estabilizada:
“Com ou sem auxílios à navegação, a direção é clara: a transição dos combustíveis fósseis para as renováveis é imparável.”
Para o chefe da ONU Clima, a COP30 deixa um legado de aceleração, clareza e compromisso crescente — um passo importante na construção de um mundo mais justo, resiliente e sustentável.
Belém no centro da transição global
A escolha da Amazônia como sede marcou profundamente esta COP. As falas de Stiell reforçam a centralidade dos povos e territórios amazônicos para o futuro do planeta.
A REPAM-Brasil segue acompanhando de perto cada etapa da COP30 e fortalecendo, por meio de sua missão pastoral e socioambiental, o protagonismo das comunidades que defendem a Casa Comum.

