
Entre os dias 28 e 31 de agosto, a Casa Maraká, em Belém do Pará, foi palco do primeiro Encontro Nacional de Comunicação Indígena (ENCI), que reuniu mais de 100 comunicadores de 62 povos indígenas de todo o Brasil. O evento, realizado pela Mídia Indígena e pelo Ministério dos Povos Indígenas, contou também com participações da Colômbia, Panamá e Guatemala, e marcou um momento histórico de articulação coletiva, formação e troca de experiências. O objetivo central foi preparar a atuação dos comunicadores para a COP30, que acontecerá em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025.
Ao longo da programação, foram debatidos cinco eixos: memória e identidade da comunicação indígena; formação política e técnica de comunicadores; articulação de uma rede nacional; estratégias para a COP30; e criação de campanhas de impacto. As mesas reuniram lideranças como Sonia Guajajara (Ministério dos Povos Indígenas), Célia Xakriabá (Câmara dos Deputados), Sineia Wapichana (enviada especial para a COP30) e Kleber Karipuna (Apib), além de organizações como Instituto Socioambiental (ISA), WWF-Brasil, Greenpeace, Avaaz e REPAM Brasil.
A programação também incluiu oficinas de produção audiovisual, técnicas de entrevista, preservação de memória, exibição de filmes indígenas e laboratórios criativos de campanhas.
Painel sobre a COP30

No dia 30, um dos momentos centrais do encontro foi o painel sobre a COP30, com Kaianaku Kamaiurá, Gasparini Kaingang e Mayara Lima, comunicadora da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM Brasil rumo à COP30, sob mediação de Natalia Mapuá.
Nesse espaço de trocas, os expositores refletiram sobre a importância da conferência global e sobre estratégias de comunicação para fortalecer a participação indígena no processo. Durante a atividade, houve a entrega de mais de 100 exemplares da cartilha ABC das COPs, elaborada pela REPAM Brasil, distribuída a todos os participantes como ferramenta de formação e democratização da informação rumo à COP30.
“Incidência começa com informação. Quando entendemos a agenda climática — seus temas, processos e espaços de participação — comunidades e territórios se fortalecem para se organizar melhor e buscar uma incidência estratégica e qualificada rumo à COP30”, afirma Mayara Lima, comunicadora da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM Brasil.
Articulação nacional de comunicadores
O encontro impulsionou a mobilização de um coletivo nacional de comunicação coordenado pela Mídia Indígena, que celebra dez anos de atuação em 2025. Uma chamada pública aberta no Instagram recebeu mais de 1.200 inscrições; a partir desse engajamento, foi estruturado um grupo de articulação dividido por biomas e gênero, garantindo representatividade.
A iniciativa busca consolidar uma rede que construa a comunicação a partir das bases do movimento indígena, valorizando lideranças locais e os contextos específicos de cada povo, projetando as lutas indígenas para além das fronteiras nacionais — em um momento em que o planeta discute sua própria sobrevivência diante da crise climática.
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