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Nesta segunda-feira, a REPAM participou do debate “Abandono dos combustíveis fósseis e novos estilos de vida, educação e formação para uma conversão ecológica estrutural: a geoengenharia climática é uma solução?”. O encontro reuniu lideranças indígenas, juventudes, especialistas, representantes de comunidades tradicionais e agentes pastorais para refletir sobre caminhos reais de enfrentamento da crise climática. 

 A atividade reforçou a necessidade urgente de repensar o modelo econômico baseado no consumo ilimitado e na dependência de combustíveis fósseis, articulando ciência, espiritualidade, justiça social e cuidado da Casa Comum — elementos centrais na Laudato Si’ e na Laudate Deum. 

Enfrentar a crise climática exige reconhecer limites 

 Os participantes destacaram que a crise ambiental é também social, pois afeta diretamente povos e territórios. O debate apontou que o atual sistema econômico opera na lógica da expansão infinita, ignorando os limites do planeta e acelerando desigualdades. 

 O presidente da Rede de Igrejas e Mineração e assessor da REPAM, Pe. Dário Bossi, chamou atenção para a urgência de uma mudança de consciência global: 

 “Vivemos numa sociedade que rejeita qualquer limite. Queremos sempre um pouco mais, sempre mais rápido — mas esse modo de viver está queimando recursos que levaram milhões de anos para existir. Quando queimamos petróleo, queimamos a história profunda da Terra. A conversão ecológica exige aceitar que não somos donos do planeta, mas parte dele.” 

 Para ele, reconhecer limites não é retroceder, mas garantir futuro: 

 “O mundo precisa abandonar a ilusão do crescimento ilimitado. Não existe vida digna com um sistema que devora pessoas, territórios e o próprio clima. A espiritualidade nos ensina que cuidar do que temos é também cuidar do que virá.” 

Geoengenharia: solução aparente, riscos reais 

 O painel também avaliou criticamente as propostas de geoengenharia climática — tecnologias de manipulação em larga escala do clima global — e seus riscos éticos, sociais e ambientais, especialmente para comunidades vulneráveis. 

Segundo o debate, soluções tecnológicas não podem substituir a responsabilidade estrutural dos países e empresas que mais emitem gases de efeito estufa. Pelo contrário, podem desviar a atenção das ações realmente eficazes: abandonar combustíveis fósseis, reduzir emissões, regenerar ecossistemas e fortalecer povos e comunidades que protegem a floresta. 

Pe. Dário alertou: 

 “Não podemos cair na tentação de substituir a conversão ecológica por atalhos tecnológicos. A geoengenharia não resolve o problema central: o vício global nos combustíveis fósseis. Sem justiça climática e sem mudar o estilo de vida, nenhuma tecnologia será suficiente.” 

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