A Justiça Federal concedeu uma decisão liminar que suspende o início das obras de explosão no Pedral do Lourenção, na Hidrovia Araguaia-Tocantins. A medida representa um avanço significativo, resultado direto da resistência das comunidades locais, da atuação firme do Ministério Público Federal no Pará e do trabalho de base realizado há anos pelo Núcleo de Direitos Humanos da REPAM-Brasil.
Essa não é uma vitória definitiva, mas um importante passo num processo que vem sendo construído coletivamente desde 2017. A REPAM, por meio de seus assessores e membros atuantes no território — Vanalda Araujo, Pe José Boeing, Daniel Seidel e Doris Vasconcelos — tem acompanhado de perto essa luta, sempre em parceria com o Comitê REPAM Marabá e diversas lideranças que atuam em Cametá e em toda a região.
Ao longo desses anos, a REPAM tem promovido os Encontros de Bacias, espaços de articulação entre os povos dos territórios hidrográficos da Amazônia. Esses encontros têm sido fundamentais para fortalecer a escuta, a mobilização e a incidência política dos povos atingidos por grandes projetos que ameaçam seus modos de vida.
No contexto do relatório Tenure Guidelines, essa ação representa uma resposta concreta aos Objetivos 2 e 3, voltados à garantia dos direitos territoriais e à proteção das comunidades tradicionais. A decisão judicial reforça a legitimidade dessa mobilização, mas não encerra a luta — pelo contrário, exige vigilância e continuidade na defesa da vida e dos territórios.
O caminho é longo, mas cada passo é fruto da força coletiva de quem resiste e sonha com uma Amazônia viva, justa e respeitada.

