No Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março, cresce a reflexão sobre os caminhos necessários para enfrentar a crise climática e proteger os territórios mais vulneráveis aos impactos ambientais.
A data reforça a importância de ampliar o debate público sobre as mudanças climáticas e fortalecer políticas capazes de reduzir emissões, proteger a biodiversidade e garantir os direitos das populações que vivem diretamente dos territórios e dos recursos naturais. Também chama atenção para a necessidade de responder às consequências dos eventos climáticos extremos por meio de políticas de mitigação, adaptação e reparação de perdas e danos, especialmente para as populações mais afetadas.
Nesse cenário, ganha destaque no Brasil o processo de construção do Plano Clima, política estratégica que orienta as ações do país para o enfrentamento das mudanças climáticas. O plano estabelece diretrizes para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para o fortalecimento de medidas de adaptação aos impactos climáticos, sendo estruturado a partir de diferentes planos setoriais, que envolvem áreas como energia, transportes, uso da terra, cidades e agricultura.
Outro marco recente importante foi a realização da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, que reuniu representantes do poder público, da sociedade civil, movimentos socioambientais e especialistas para discutir prioridades para a política ambiental brasileira.
Como resultado do processo participativo, foram aprovadas 104 decisões consideradas prioritárias, que apontam caminhos para o enfrentamento da crise climática no país.
Entre os principais temas abordados estão:
- proteção das florestas e da biodiversidade
- preservação da água e dos rios
- combate ao desmatamento e às atividades ilegais
- justiça climática e transição ecológica
- fortalecimento de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais
- ampliação da participação social nas políticas ambientais
Confira as 104 decisões da Conferência Nacional do Meio Ambiente
Da conferência aos territórios
Após a conferência, o principal desafio passa a ser garantir que essas decisões se transformem em ações concretas nos territórios.
Entre os pontos destacados por especialistas e organizações socioambientais estão o fortalecimento da governança ambiental, o combate às atividades ilegais que afetam florestas e rios e o reconhecimento do papel das comunidades tradicionais na proteção da biodiversidade.
Na Amazônia, esse debate ganha ainda mais relevância. A região concentra uma das maiores biodiversidades do planeta e desempenha papel estratégico na regulação do clima global. Ao mesmo tempo, enfrenta pressões crescentes relacionadas ao desmatamento, à mineração ilegal e à contaminação de rios, além da ausência ou fragilidade de políticas de mitigação, adaptação e reparação de perdas e danos diante dos impactos das mudanças climáticas sobre populações e territórios.
Para organizações que atuam na região amazônica, como a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), enfrentar a crise climática significa também fortalecer a defesa dos territórios e garantir os direitos dos povos que historicamente cuidam da floresta.
Nesse processo, a participação social é fundamental. A sociedade civil tem papel decisivo na cobrança pela implementação qualificada das políticas climáticas, bem como no controle social e no monitoramento dessas políticas, para que respondam de forma eficaz às necessidades dos territórios e garantam os direitos dos povos, evitando que interesses econômicos ou políticos se sobreponham à proteção da vida e da natureza.
Os impactos das mudanças climáticas na Amazônia já se manifestam de diversas formas, incluindo alterações no regime de chuvas, períodos mais intensos de seca e enchentes, insegurança alimentar e dificuldades de acesso à água de qualidade em diversas comunidades.
Diante desse cenário, iniciativas que promovem a proteção das florestas, dos rios e dos territórios tradicionais tornam-se fundamentais para garantir não apenas a conservação ambiental, mas também a vida e a dignidade das populações amazônicas.
O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas é, portanto, um convite à reflexão e à mobilização da sociedade.
Mais do que reconhecer a gravidade da crise climática, a data reforça a necessidade de avançar na implementação de políticas públicas efetivas, fortalecer a participação social e ampliar o compromisso coletivo com o cuidado da Casa Comum.
Para redes e organizações socioambientais, o enfrentamento da crise climática passa pela articulação entre governos, comunidades, movimentos sociais e instituições, com foco na construção de soluções que respeitem os territórios e garantam justiça climática para todos.

