A Prof.ª Lady Anne de Souza, Coordenadora Regional da Pastoral da Educação da CNBB Norte 2, participou do Jubileu da Educação, realizado em Roma, que reuniu mais de 20 mil educadores e estudantes de diversos países. O encontro, parte do calendário do Jubileu 2025, destacou a educação como caminho de transformação e esperança, em sintonia com o Pacto Global pela Educação, iniciativa lançada pelo Papa Francisco para inspirar uma nova cultura educativa baseada na solidariedade, no diálogo e no cuidado com a Casa Comum.

Em sintonia com esse chamado, a REPAM-Brasil vem ampliando o debate sobre Educação, Universidade e Amazônia, e durante a COP30 promoverá uma série de encontros com professores, pesquisadores e lideranças populares para aprofundar essa agenda nos territórios amazônicos.
Nesta entrevista, Lady Anne compartilha suas reflexões sobre o Jubileu, o papel transformador da educação amazônica e os desafios de construir uma formação integral voltada à sustentabilidade, à fraternidade e à cidadania planetária.
Confira a entrevista:
1. Como foi participar do Jubileu da Educação em Roma e o que mais lhe marcou nesse encontro?
Queridos, é com muita alegria que testemunho para todos vocês a emoção de poder participar do Jubileu do Mundo Educativo, que reuniu mais de 20 mil peregrinos, educadores, estudantes e pesquisadores — pessoas apaixonadas pela educação.
O que mais me marcou, sem dúvida, foi o presente que recebemos com a nova Carta Apostólica “Traçar Novos Caminhos de Esperança”, assinada pelo Papa Leão. Ela nos convida a seguir peregrinando e construindo novos caminhos de fraternidade, alegria e paz.
Outro momento muito emocionante foi o anúncio de São John Henry Newman como Doutor da Igreja e co-patrono da educação, um gesto que renova nossa missão como educadores e discípulos da esperança.
2. De que forma o Pacto Global pela Educação pode inspirar ações na Amazônia e fortalecer o papel das universidades e escolas na região?
O Pacto Educativo Global é um projeto político-pedagógico que nasce do coração do Papa Francisco e foi reafirmado pelo Papa Leão durante o Jubileu, com o relançamento do Pacto.
Ele é uma aliança entre escola, família e sociedade, e agora conta com dez compromissos que orientam nossa vivência educativa no mundo.
Na Amazônia, esse pacto nos inspira a olhar com mais atenção para as realidades locais, culturas e especificidades dos povos, fortalecendo universidades e escolas que reconheçam e valorizem o contexto amazônico como espaço de saber, vida e espiritualidade.
3. Como construir uma educação enraizada no território amazônico, que una saberes tradicionais, ciência e espiritualidade?
Só é possível construir uma educação enraizada quando currículos e práticas pedagógicas dialogam com as especificidades, temporalidades, culturas e saberes dos povos.
Precisamos compreender que as normas e resoluções devem garantir calendários, currículos e planos de aula que respeitem essas diversidades.
A educação nasce do lugar de pertencimento, do lugar de fala e de vivência.
Por isso, quando o Pacto Educativo nos convida a colocar a pessoa humana no centro, ele nos chama a reconhecer os conhecimentos, culturas e saberes de cada povo.
O caminho da aprendizagem é contínuo — e pensar uma educação voltada para a Amazônia é partir sempre da escuta e da vivência de quem habita este território.
4. Que contribuição a educação amazônica pode oferecer à COP30 e aos debates globais sobre o futuro do planeta?
A educação amazônica tem muito a contribuir com a COP30 e com todos os debates globais sobre o futuro do planeta.
A vivência dos povos amazônicos é um testemunho vivo de cuidado com a Casa Comum, da preocupação com as mudanças climáticas e da valorização da vida em todas as suas formas.
Com esse olhar esperançoso, a educação da Amazônia oferece contribuições a partir da ciência, das pesquisas e dos saberes populares, que há muito tempo refletem sobre o cuidado com o planeta.
Nós, educadores da Amazônia, também estamos mobilizados nesse processo. Produzimos o e-book “COP30 nas Escolas Amigas da Casa Comum”, com planos de aula da educação infantil ao ensino médio, baseados na BNCC e inspirados nos documentos do Papa Francisco — como o Pacto Educativo Global, a Laudato Si’ e a Querida Amazônia.
Esse material leva os debates climáticos para dentro das escolas e mostra que a Amazônia já vem, há muito tempo, refletindo e agindo pelo cuidado com o planeta.
5. Como você vê o papel dos educadores amazônicos neste caminho rumo à COP30?
Os educadores da Amazônia têm um papel fundamental: traduzir os grandes debates globais em práticas locais, conectadas à realidade dos estudantes.
Nosso compromisso é manter viva essa rede de esperança e de cuidado com a Casa Comum, fortalecendo a consciência ambiental e o protagonismo das comunidades.
A COP30 é uma oportunidade de mostrar ao mundo que a Amazônia educa, resiste e propõe caminhos de transformação a partir de sua própria experiência de fé, de convivência e de partilha.
6. Que mensagem a senhora deixa para os educadores da Amazônia após essa experiência em Roma?
O que eu trago para a nossa querida Amazônia é uma mensagem linda do Papa Leão, em seu discurso durante a audiência com os educadores: “Educar com amor.”
Ele nos convidou a fazer da interioridade, unidade, amor e alegria os pontos cardeais da nossa missão formativa.
Por isso, deixo essa mensagem aos nossos educadores e educadoras: eduquem com amor, com fraternidade e com paz.
Mesmo diante dos desafios, sigamos tendo Jesus como mestre educador e referência de esperança, encontrando força na oração e na espiritualidade para continuarmos traçando novos caminhos de esperança.
Educar com amor é, hoje, o maior testemunho que podemos oferecer ao mundo.

