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Defender a Amazônia é defender a vida: por que ainda é tão perigoso proteger direitos na região?

Na Semana dos Direitos Humanos, a REPAM-Brasil preparou uma série especial de entrevistas com lideranças, especialistas e organizações que atuam na linha de frente da defesa dos territórios e das populações amazônicas. Ao longo dos próximos dias, vamos trazer análises sobre os desafios atuais e os caminhos possíveis para fortalecer justiça, proteção e direitos na Amazônia. Acompanhe!

Para inaugurar a série, conversamos com Suzanny Brasil, assessora jurídica popular da Terra de Direitos, que acompanha de perto as violências e ameaças enfrentadas por pessoas defensoras do meio ambiente e dos direitos humanos na região.

Confira o papo:


Qual é o cenário hoje para quem defende territórios e direitos na Amazônia?

Suzanny:
“A Amazônia segue vivendo um cenário muito alarmante. As violências e ameaças contra quem protege o território e o meio ambiente vêm crescendo e, ao mesmo tempo, convivemos com uma impunidade altíssima. O Estado brasileiro não atua com a diligência que é esperada — e que já foi recomendada pela ONU — para fortalecer políticas de proteção e responder às especificidades dos povos amazônicos. Infelizmente, ainda estamos diante de um quadro extremamente preocupante.”


As políticas de proteção hoje dão conta da realidade amazônica?

> Suzanny:
“Não. As políticas ainda são frágeis e pouco eficientes porque não consideram um aspecto essencial: na Amazônia, estamos falando de territórios coletivos e de modos de vida profundamente comunitários.
A maioria das violências ocorre exatamente contra pessoas que defendem seu território coletivo, então a proteção também precisa ser coletiva. É preciso compreender as especificidades socioculturais dos povos amazônicos para que as políticas funcionem de fato. Além disso, é urgente enfrentar as causas estruturais dessas ameaças — como desmatamento, grilagem e ausência de reforma agrária.”


O que deveria avançar na agenda pública para proteger quem protege a Amazônia?

> Suzanny:
“O Estado brasileiro precisa reconhecer, por meio de políticas públicas, que essas lideranças exercem funções essenciais para a garantia de direitos no país. E esse reconhecimento não pode ser apenas retórico.
É urgente que as políticas de direitos humanos e proteção sejam tratadas como prioridade absoluta — mesmo quando contrariem grandes interesses econômicos. Defender direitos humanos é defender o que é fundamental, e isso precisa estar no centro da ação estatal.”


Acompanhe a série

Ao longo da semana, novas entrevistas serão publicadas no site e nas redes da REPAM-Brasil, destacando a luta das defensoras e defensores que mantêm vivo o direito à Terra, à água, ao território e à esperança na Amazônia.

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