A Petrobras se prepara para uma nova etapa de exploração de petróleo e gás natural na Bacia do Solimões, no coração da Amazônia. A empresa prevê a perfuração de 22 novos poços a partir de 2026, ampliando sua atuação naquela que é considerada a maior reserva terrestre desses hidrocarbonetos no Brasil.
De acordo com informações da companhia, 20 poços fazem parte de uma campanha já prevista, com início em janeiro de 2026 e duração até 2030, em áreas onde a Petrobras já atua. Outros dois poços estão fora desse conjunto inicial e podem abrir novas fronteiras exploratórias na região.
A base de operações da Petrobras está localizada em Urucu, a cerca de 650 quilômetros de Manaus, em uma região de floresta densa e de difícil acesso. Não há estradas ligando a área a centros urbanos, uma decisão adotada para reduzir impactos ambientais e evitar a formação de novos povoados no entorno da operação.
Atualmente, a base abriga cerca de 100 poços, dos quais 75 estão em produção. A extração alcança aproximadamente 105 mil barris de óleo equivalente por dia, o que corresponde a cerca de 3,5% do consumo diário nacional. Além disso, são produzidos diariamente 13,5 milhões de metros cúbicos de gás natural, responsáveis por cerca de 65% da geração de energia elétrica de Manaus.
A região também é estratégica para o abastecimento de gás de cozinha: cerca de 80 mil botijões saem diariamente de Urucu para atender o Norte e parte do Nordeste do país.
O petróleo e o gás liquefeito de petróleo (GLP) percorrem 285 quilômetros de dutos até o município de Coari, de onde seguem por embarcações. Já o gás natural é transportado diretamente para Manaus por um gasoduto de 663 quilômetros que atravessa a floresta.
O petróleo extraído em Urucu é considerado de alta qualidade, com baixo teor de enxofre e metais, sendo destinado à produção de derivados como diesel, gasolina, nafta petroquímica e querosene de aviação.
Histórico da exploração e impactos locais
As pesquisas por petróleo na Amazônia começaram ainda na primeira metade do século 20, inicialmente restritas às margens dos rios. A viabilidade econômica da exploração só foi confirmada em 1986, com a descoberta das reservas de Urucu.
Desde então, a Petrobras afirma adotar práticas voltadas à preservação ambiental, ocupando cerca de 2% da área total da concessão e mantendo 98% da floresta nativa preservada. Ainda assim, a exploração de combustíveis fósseis na Amazônia segue sendo tema de intenso debate público, especialmente diante da crise climática e dos impactos sobre os territórios e povos da região.
No município de Coari, onde está localizada a base, vivem pouco mais de 70 mil habitantes. Em 2020, a cidade recebeu mais de R$ 58 milhões em royalties do petróleo. Em 2022, com a alta do preço internacional, esse valor mais que dobrou. Desde então, os repasses acumulados superam R$ 274 milhões.
Cerca de mil trabalhadores atuam em Urucu em regime de escala, permanecendo 14 dias na base e 21 dias em casa, com acesso a infraestrutura de alojamento, saúde e lazer.
A Petrobras informa que adota medidas de mitigação ambiental, como o reflorestamento das áreas após o encerramento das atividades dos poços. Segundo a empresa, mais de 1,5 milhão de mudas de espécies nativas já foram plantadas na região. O reaproveitamento de resíduos também integra a rotina da base, com lixo orgânico transformado em adubo e demais resíduos tratados em Manaus.
A companhia afirma ainda que tem como meta zerar as emissões operacionais de gases de efeito estufa até 2050. Segundo Emanuela Santos, gerente setorial do Programa Carbono Neutro da Petrobras, há um foco em eficiência, mitigação e controle ambiental nas operações em Urucu.

