No último dia 26 de junho de 2025, foi realizado, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paulino Neves (STTR), o Primeiro Seminário de Comunidades Tradicionais sobre Energias Renováveis e Mudanças Climáticas nos Lençóis Maranhenses. O evento foi organizado pela Associação Comunitária do Povoado de São Domingos, em parceria com o Fórum Carajás e o próprio STTR de Paulino Neves.
O seminário foi fruto de uma construção coletiva iniciada a partir de diversas rodas de conversa nas comunidades locais. O objetivo foi proporcionar um espaço de informação, escuta e articulação em torno dos impactos e oportunidades trazidos pelos empreendimentos de energia renovável – sobretudo eólica e solar – que vêm sendo implantados na região dos Lençóis Maranhenses.
Durante a programação, foram compartilhadas informações sobre os aspectos técnicos, sociais e ambientais da geração de energia renovável, com destaque para os impactos positivos e negativos desses empreendimentos nas comunidades. Também foram discutidos os processos de consulta prévia, livre e informada – direito garantido às comunidades tradicionais – e a importância de um licenciamento ambiental transparente e responsável.

Segundo participantes, o encontro foi fundamental para preparar as comunidades para os desafios e possibilidades que a transição energética impõe. Como destacou, Eliane Gentil, (Associação dos Trabalhadores Paulinho Neves e São Domingos, liderança local:
“A gente trouxe esse seminário para informar as comunidades sobre as mudanças que estão acontecendo, os impactos das mudanças climáticas, e como podemos nos preparar e nos posicionar frente a esses empreendimentos que vêm sendo implantados em nossos territórios. Queremos uma energia renovável que atenda às nossas necessidades, como a agricultura familiar, e não que apenas beneficie grandes empresas.”
Mayron, presidente do Fórum Carajás, também reforçou a importância do evento:
“Esse seminário nasceu da necessidade de discutir os impactos da implantação de parques eólicos em Paulino Neves e de rever o licenciamento ambiental desses empreendimentos. É um momento de propor caminhos para que os erros já cometidos não se repitam em novos projetos.”
A REPAM-Brasil parabeniza as organizações envolvidas por promover esse importante espaço de diálogo, formação e articulação, em defesa dos direitos das comunidades tradicionais e pela construção de uma transição energética justa e popular na Amazônia brasileira.

