No dia 13 de março, a Vila São José, no município de São Domingos do Araguaia (PA), recebeu um encontro de mulheres quebradeiras de coco babaçu em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A atividade reuniu mulheres de cinco municípios do estado do Pará, fortalecendo o diálogo, a partilha de experiências e a reflexão sobre os desafios vividos nos territórios tradicionais.
O encontro aconteceu na comunidade onde funciona a sede do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) – Regional Pará, e foi organizado pela coordenação regional do movimento. A atividade contou com a participação da coordenadora regional Cléder Neuza, além das lideranças Maria, Fátima e Dona Rosa, que atuam na articulação das bases e no fortalecimento da organização das mulheres nos territórios.

Durante a programação, as participantes compartilharam suas trajetórias de luta, socializaram experiências e refletiram coletivamente sobre os caminhos para fortalecer a autonomia das mulheres quebradeiras de coco babaçu. O encontro também contou com momentos de formação e diálogo, reafirmando a importância da organização comunitária para a defesa de direitos.
A REPAM esteve presente na atividade, contribuindo com uma palestra sobre violência doméstica nos territórios tradicionais e sobre a proteção dos territórios onde as mulheres realizam a coleta do babaçu. Em muitos desses locais, as quebradeiras enfrentam diversas formas de violência e restrições impostas por fazendeiros ou jagunços, que tentam impedir o acesso às áreas onde tradicionalmente realizam seu trabalho.
As mulheres relataram situações de violência psicológica, econômica e, em alguns casos, sexual, além das dificuldades enfrentadas para garantir o acesso aos babaçuais, que são fundamentais para a sobrevivência de muitas famílias e para a manutenção de seus modos de vida.
Mesmo diante dessas adversidades, as quebradeiras de coco babaçu seguem sendo símbolos de resistência e defesa dos territórios, preservando saberes tradicionais, fortalecendo a economia comunitária e lutando pela garantia de seus direitos.

O encontro foi encerrado com um almoço coletivo, momento de convivência e celebração que reforçou os laços de solidariedade entre as participantes. A iniciativa reafirma a importância de espaços de encontro e formação para fortalecer a organização das mulheres e ampliar a visibilidade de suas lutas na Amazônia.

