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Reunião nacional reuniu pastorais, movimentos e lideranças para fortalecer a atuação em rede, a defesa dos territórios e a incidência política rumo a 2026 

A REPAM-Brasil realizou uma reunião ampliada de escuta e planejamento estratégico com representantes de articulações e comitês locais da REPAM, pastorais, movimentos sociais, dioceses e organizações da Amazônia brasileira, com o objetivo de apresentar, aprofundar e discutir o Plano Estratégico 2025–2030, construído a partir de um amplo processo de escuta e sistematização das realidades territoriais. 

O encontro teve início com um momento litúrgico e de espiritualidade, seguido da saudação de Aldenilse Borralho, seguido da palavra de abertura de Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil, que destacou a importância de um planejamento que nasça da vida concreta dos povos e fortaleça a missão da Igreja na defesa da Casa Comum. 

A reunião contou com a participação de representantes de diversas regiões da Amazônia, como Belém, Santarém, Marabá, Manaus, Borba, Gurupá, Palmas, Cuiabá, Brejo, São Luís, Porto Velho e Afuá, além dos estados de Roraima, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, bem como da Secretaria Executiva da REPAM-Brasil, com a presença de Irmã Irene Lopes e da REPAM Pan-Amazônica, representada por Ximena Lombana. Estiveram presentes leigos e leigas, religiosas, padres e integrantes de organizações como CPT, CIMI, Cáritas, Comissão Brasileira Justiça e Paz, movimentos de mulheres, pastorais sociais e coletivos socioambientais. 

As falas refletiram a diversidade dos territórios e reforçaram a REPAM como uma rede articuladora, que conecta iniciativas já existentes e fortalece ações coletivas, sem substituir o protagonismo local. Uma rede que agrega a diversidade eclesial e social da Amazônia 

A análise de conjuntura destacou um cenário marcado por graves retrocessos socioambientais e políticos, como o avanço do garimpo ilegal, a contaminação por mercúrio e cianeto, alterações legislativas no licenciamento ambiental e no marco temporal, além do aumento da violência contra povos indígenas, comunidades quilombolas e defensoras e defensores de direitos humanos. 

Ao mesmo tempo, foi ressaltada a COP30 e a caminhada da Igreja como espaço de esperança e articulação, com potencial para fortalecer a resistência a incidência das Igrejas e dos movimentos sociais em defesa da Amazônia. 

O Plano Estratégico 2025–2030 foi apresentado como fruto de um processo participativo, que incluiu 23 entrevistas, reuniões, relatórios, encontros regionais e contribuições internas, utilizando metodologias apreciativas como a matriz SOAR (Forças, Oportunidades, Aspirações e Resultados). 

O documento tem como horizonte a implementação progressiva a partir de 2026 e se orienta por quatro grandes eixos: 

Defesa dos povos, da terra e dos territórios; 

Identidade amazônica e ecologia integral; 

Justiça socioambiental e Bem Viver; 

Formação de redes e alianças. 

Entre os direcionadores estratégicos estão a sinodalidade, a busca por impacto concreto, a sustentabilidade e o fortalecimento da identidade amazônica. 

Durante o diálogo, os participantes destacaram como prioridades: 

a necessidade de divulgação e apropriação do plano nas dioceses, paróquias e comunidades; 

o apoio logístico e financeiro aos territórios, para garantir a participação de lideranças e comunidades; 

a integração de campanhas como Vida por um Fio, Amazoniza-te e Eu Voto pela Amazônia, com foco especial nas eleições de 2026; 

o fortalecimento da formação do clero e das lideranças, com atenção à missiologia indigenista e à dimensão socioambiental; 

a ampliação das ações de proteção de defensoras e defensores diante do aumento da violência; 

a articulação pan-amazônica e transfronteiriça, especialmente em temas como migração, água e direitos humanos. 

Como encaminhamentos, foi apontada a necessidade de produzir materiais mais sintéticos e acessíveis do Plano Estratégico, priorizar a mobilização de recursos como eixo transversal, fortalecer a capilaridade dos comitês locais e planejar ações conjuntas de incidência política, especialmente no contexto eleitoral. 

Também ficou acordada a retomada dos diálogos no início de 2026, para detalhar cronogramas, responsabilidades e ações regionais, em articulação com a REPAM Pan-Amazônica. 

A reunião foi avaliada como um espaço rico de escuta, partilha e construção coletiva. Ao final, uma oração e bênção reforçaram o compromisso da REPAM-Brasil com um caminho de esperança, resistência e ação concreta, para que o Plano Estratégico se traduza em apoio real aos territórios, proteção da vida e fortalecimento da identidade amazônica. 

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