Notícia

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) manifesta seu apoio e solidariedade ao Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, que segue mobilizado na defesa da vida, do território e do Rio Xingu diante das ameaças impostas pelo projeto minerário Belo Sun, no Pará.

Nesta quinta-feira, 19 de março, será realizada uma audiência pública em Altamira, convocando povos indígenas, movimentos sociais, organizações e a sociedade civil a se somarem à luta contra a instalação do empreendimento. A mobilização reafirma um posicionamento coletivo: o Xingu não pode suportar mais um projeto de destruição travestido de desenvolvimento.

As denúncias apresentadas pelas mulheres indígenas apontam graves irregularidades no processo de licenciamento ambiental do projeto, incluindo a ausência de Consulta Prévia, Livre e Informada — direito garantido pela Convenção 169 da OIT — além de lacunas e inconsistências nos estudos de impacto ambiental.

Documentos recentes reforçam essas preocupações. Em ofício oficial, a própria Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reconhece a necessidade de aprofundamento das análises sobre os impactos do empreendimento e destaca que o processo de licenciamento encontra-se paralisado diante da ausência de complementação dos estudos por parte da empresa . O documento também evidencia que a instalação da mineração ocorre em um território já profundamente impactado pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, agravando riscos socioambientais e ameaçando modos de vida tradicionais.

Além disso, estudos técnicos citados no próprio processo indicam que alterações no regime do rio Xingu já têm provocado mudanças significativas na vida das comunidades indígenas, afetando práticas essenciais como pesca, caça e coleta, com impactos diretos sobre sua reprodução física, cultural e espiritual .

Diante desse cenário, a REPAM reafirma que:

A defesa do território é a defesa da vida;

Não há justiça socioambiental sem o respeito aos direitos dos povos indígenas;

Grandes empreendimentos não podem avançar sobre territórios vulnerabilizados sem garantias reais de proteção e participação.

A mobilização das mulheres indígenas do Médio Xingu é legítima, necessária e urgente. Sua resistência ecoa um chamado mais amplo à sociedade brasileira: é preciso interromper ciclos de violência e violação de direitos na Amazônia.

A REPAM se soma a esse clamor e reforça a importância da participação na audiência pública como espaço de incidência e pressão por justiça.

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