Os dados mais recentes sobre feminicídios no Brasil revelam um cenário alarmante de violência estrutural contra as mulheres. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% em comparação a 2021, segundo levantamento apresentado no retrato nacional do crime. A taxa registrada foi de 1,43 mortes por 100 mil mulheres.
O levantamento também mostra que a violência tem forte relação com desigualdades sociais e territoriais. Estados da Amazônia Legal aparecem entre aqueles com maiores taxas de feminicídio, como Acre (3,2), Rondônia (2,9) e Mato Grosso (2,7), evidenciando os desafios enfrentados pelas mulheres nos territórios amazônicos, onde muitas vezes o acesso à proteção e aos serviços públicos é limitado.
Outro dado preocupante é que 13,1% das vítimas possuíam medida protetiva de urgência no momento em que foram mortas, indicando falhas na efetivação das políticas de proteção. O estudo também aponta que metade dos feminicídios ocorre em cidades com até 100 mil habitantes, onde muitas vezes há menor presença de delegacias especializadas e casas de acolhimento.
A análise do perfil das vítimas revela profundas desigualdades raciais: 62,6% das mulheres assassinadas eram negras, enquanto 36,8% eram brancas. A violência também atinge principalmente mulheres jovens e adultas: 29,4% tinham entre 18 e 29 anos, e 50% entre 30 e 49 anos.
Na maioria dos casos, o crime é cometido por alguém próximo. 59,4% das vítimas foram mortas por parceiros íntimos e 21,3% por ex-parceiros, enquanto apenas 4,9% dos casos envolveram agressores desconhecidos. A violência ocorre principalmente dentro de casa: 66,3% dos feminicídios aconteceram em residências.
Os dados também mostram que 48,7% das mortes foram cometidas com arma branca, como faca ou objeto cortante, e 25,2% com arma de fogo.
Para a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), os números reforçam a urgência de fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar os serviços de acolhimento nos territórios e promover uma cultura de cuidado, justiça e dignidade. Nos territórios amazônicos, onde as mulheres exercem papel fundamental na defesa da vida, das comunidades e da natureza, enfrentar a violência de gênero é também parte da luta pela ecologia integral e pela proteção dos povos e territórios.
A REPAM reafirma seu compromisso com a defesa da vida das mulheres, apoiando iniciativas de formação, articulação e incidência que promovam igualdade, respeito e o fim de todas as formas de violência.

