A REPAM-Brasil participou, nesta quarta-feira, de uma roda de conversa com mulheres pescadoras da comunidade de Tauá, na região das ilhas de Belém, onde os impactos da devastação ambiental e da privatização irregular das áreas de várzea têm transformado profundamente o território e a vida das famílias.
Durante a atividade, as mulheres denunciaram que áreas inteiras de várzea — antes dedicadas à pesca artesanal, coleta de mariscos e manejo de açaí — foram aterradas com pedra, areia e pêra, cercadas como “propriedade privada” e tomadas por processos de degradação acelerada.
“Aqui era tudo várzea. Onde hoje tem placa de propriedade particular, era território pesqueiro das mulheres. A destruição é imensa”, relataram durante a caminhada pelo rio Tauá, onde também se observa avanço de desmatamento e impactos que afetam diretamente a pesca e a segurança alimentar das famílias.

A atividade também expôs preocupações sobre a possível exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
“Se vier a perfuração de petróleo, as mulheres, as famílias e todo o território pesqueiro serão afetados”, alertaram integrantes da comunidade.
Representantes de movimentos participaram da ação e reforçaram a urgência de proteger o território.
“Não podemos deixar que isso aconteça com nossos lugares. Deixar acabar a natureza é deixar acabar a vida. Nossa luta é pelo meio ambiente e pela sobrevivência das nossas comunidades”, afirmou uma das lideranças presentes.
As moradoras lembraram ainda que a comunidade já sofre há décadas com sucessivos impactos ambientais: fechamento de fábricas locais, perda de áreas de pesca, destruição de criadouros naturais e avanço de empreendimentos minerários na região.
“Hoje devastaram nossa costa quase toda. Tiraram o alimento, tiraram a renda, tiraram a base da vida das nossas famílias”, relataram.
O grupo também destacou o papel das organizações locais — núcleo de mulheres, jovens e grupos comunitários — na resistência e na defesa da biodiversidade.
“Somos parte desse ambiente. Ele não é só meio ambiente, é o nosso ambiente de vida. Precisamos que mais parceiros somem à nossa luta”, afirmaram.

Ao final da atividade, a REPAM realizou a entrega simbólica de sementes de moringa às mulheres da comunidade. A ação integra a campanha Água na Moringa sobre o direito à água e práticas sustentáveis, que tem difundido o uso da moringa como alternativa de purificação da água e fortalecimento da autonomia das famílias amazônicas.
A moringa, já adotada em outras regiões acompanhadas pela REPAM, representa esperança, cuidado com a Casa Comum e a construção de alternativas sustentáveis diante das ameaças ao território.
A REPAM-Brasil reafirma seu compromisso de seguir ao lado das comunidades de Tauá na defesa dos territórios tradicionais, na proteção da biodiversidade e no fortalecimento do protagonismo das mulheres amazônicas.


