O acesso à água potável é um dos desafios enfrentados por muitas comunidades indígenas na Amazônia, especialmente diante das limitações logísticas e ambientais. A busca por alternativas sustentáveis tem levado especialistas a explorar métodos inovadores, como o uso da semente de moringa (Moringa oleifera) para purificação da água e a reutilização de garrafas PET na construção de filtros domésticos.
Neste Dia Mundial da Água, convidamos todos a refletirem sobre a importância da preservação desse recurso vital e a apoiarem iniciativas que garantam o direito à água limpa e segura para todas as comunidades da Amazônia.
O tratamento convencional da água frequentemente utiliza produtos químicos como o sulfato de alumínio, substância que pode acarretar impactos negativos à saúde caso não seja aplicada corretamente. Estudos sugerem uma possível relação entre o uso prolongado desse químico e doenças como o Mal de Alzheimer, além de problemas gastrointestinais quando há excesso de cloro no processo de purificação.
Diante desse cenário, a utilização da semente de moringa surge como uma alternativa sustentável e acessível para a clarificação da água. Além de ser um método natural, sua aplicação pode ser adaptada ao contexto das comunidades locais, permitindo que os próprios moradores participem do processo de tratamento. A capacitação técnica é essencial para garantir que a dosagem seja adequada, tornando essa solução viável e segura para o consumo humano.
Outro problema crítico enfrentado por muitas comunidades indígenas é o aumento da produção de resíduos sólidos, em especial as garrafas PET, resultante da introdução crescente de produtos industrializados em seus territórios. Como muitas dessas localidades são isoladas e não possuem infraestrutura para a coleta seletiva, grande parte desse material acaba sendo queimado ou enterrado, agravando os impactos ambientais.
Nesse contexto, a reutilização de garrafas PET tem sido incentivada como uma solução prática para minimizar os danos ambientais. Além de serem usadas para armazenar água e outros líquidos, as garrafas podem ser transformadas em filtros caseiros que ajudam na purificação da água. Essa abordagem não apenas contribui para a redução do lixo, mas também fornece uma solução de baixo custo para melhorar o acesso à água potável.
Embora seja essencial promover a conscientização sobre os impactos ambientais do consumo de produtos industrializados, é fundamental oferecer soluções práticas e adaptáveis à realidade das comunidades indígenas. O desenvolvimento de tecnologias simples, como a clarificação com moringa, complementados com a filtração reutilizando o PET, representa um passo importante na busca por um abastecimento de água mais seguro e sustentável.


A REPAM Brasil continua a apoiar iniciativas que promovam a justiça socioambiental na Amazônia, articulando esforços entre comunidades, pesquisadores e organizações para garantir que alternativas sustentáveis sejam amplamente difundidas e aplicadas. A preservação do meio ambiente e a garantia do direito à água são pilares essenciais para a construção de um futuro mais justo e equilibrado para todos.
O trabalho da Dra. Adriana Ribeiro Francisco, engenheira Ambiental e Sanitária, e Pós Doutora em Engenharia Agrícola que tem transformado a realidade de pequenas comunidades através de soluções inovadoras para o tratamento de água exemplifica como a ciência e a tradição podem caminhar juntas na busca por soluções eficazes e respeitosas com o meio ambiente e com as culturas locais. A REPAM Brasil segue comprometida com essa causa, promovendo a justiça socioambiental e o cuidado com a Casa Comum.