A REPAM-Brasil manifesta preocupação e solidariedade às 440 famílias camponesas dos acampamentos Ypê e de outras duas áreas no Distrito de Tabajara, município de Machadinho d’Oeste (RO), que vêm enfrentando uma grave escalada de violência, marcada por despejos forçados, intimidações e mortes.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que divulgou Nota Pública sobre o caso, desde a semana passada as famílias estão sendo alvo de reintegrações de posse realizadas sem a devida notificação prévia por Oficial de Justiça e sem a apresentação de um Plano de Desocupação – procedimento mínimo para garantir segurança e dignidade às pessoas atingidas. Em contrapartida, as ações são acompanhadas por forte aparato policial, aprofundando o clima de medo e insegurança entre os camponeses.
A situação se agravou na noite da quinta-feira, 20, com o assassinato de dois pequenos agricultores, os irmãos Alex e Alessandro, mortos enquanto tentavam deixar a área. A versão apresentada pela polícia fala em troca de tiros, mas os acampados negam que tenha havido confronto, o que torna ainda mais urgente uma investigação rigorosa, independente e transparente sobre o ocorrido.
No domingo, 23, uma reunião comunitária que contava com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Incra e organizações da sociedade civil foi interrompida por uma operação conjunta da Polícia Militar e de um Oficial de Justiça. Cerca de 200 famílias e lideranças presentes foram impedidas de sair do local e coagidas a informar nome completo, CPF e a se submeterem a registros fotográficos para serem liberadas. As famílias temem que esses dados possam ser utilizados para perseguição e para alimentar discursos de ódio contra trabalhadores rurais, como os propagados pelo grupo “Invasão Zero”, citado pelos acampados como fomentador de violência contra camponeses.

