Notícia

A REPAM-Brasil realizou uma reunião de formação e atualização voltada à Política de Proteção, com foco em direitos humanos, ética, integridade e enfrentamento às violências, especialmente contra as mulheres. O encontro reuniu a Secretária Executiva e destacou a urgência de fortalecer redes de proteção e estratégias de acolhimento diante de um cenário marcado por vulnerabilidades sociais e aumento dos índices de violência.

A formação teve como eixo central a reflexão sobre a responsabilidade coletiva na defesa da vida, articulando referências da Campanha da Fraternidade e do legado do Papa Francisco, com ênfase na justiça social, fraternidade e no cuidado com os mais vulneráveis. O debate também trouxe uma análise crítica das raízes históricas das violências, destacando a relação entre colonização, patriarcado e estruturas de dominação que ainda impactam a realidade amazônica .

No contexto atual, marcado por crises globais e seus reflexos nos territórios, foram evidenciadas as conexões entre decisões políticas e econômicas e o aumento das violências locais. Dados recentes apontam para um cenário alarmante de feminicídio em estados da Amazônia, como Rondônia, Amazonas e Roraima, reforçando a necessidade de ações concretas e articuladas .

Durante o encontro, participantes compartilharam experiências e desafios enfrentados nos territórios, especialmente por mulheres defensoras de direitos humanos e ambientais, que vivem situações de risco e violência recorrente. Também foram discutidos os impactos emocionais do trabalho em contextos de vulnerabilidade, ressaltando a importância do autocuidado e do apoio coletivo.

A reunião avançou na construção de caminhos práticos para a implementação de políticas de proteção, com destaque para a formação contínua das equipes, o fortalecimento de protocolos institucionais de prevenção e acolhimento, e a articulação com parceiros estratégicos, como Ministério Público, Ministério das Mulheres, organizações da sociedade civil e redes eclesiais. A criação e o fortalecimento de redes locais de proteção foram apontados como fundamentais para garantir respostas rápidas, seguras e humanizadas às situações de violência .

Outro ponto relevante foi a necessidade de investir em processos educativos que contribuam para a transformação cultural, enfrentando as raízes do patriarcado e promovendo relações baseadas no respeito e na dignidade. A formação também destacou que a resposta às violências não deve se limitar à punição, mas incluir processos de reconstrução social e promoção da paz.

Como encaminhamento, a REPAM-Brasil reforça o compromisso de dar continuidade às formações, ampliando o alcance junto aos territórios e consolidando uma rede articulada de proteção e cuidado. A iniciativa reafirma o papel da Rede como espaço de escuta, acolhimento e mobilização em defesa da vida na Amazônia.

A mensagem final do encontro foi um chamado à ação responsável e esperançosa: agir com consciência, fortalecer o trabalho em rede e construir, a partir dos territórios, caminhos concretos de proteção, justiça e cuidado coletivo.

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