A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) esteve presente, representada pela Irmã Irene Lopes, na V Cúpula dos Presidentes dos países do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), realizada em Bogotá, Colômbia. O encontro reuniu líderes da região amazônica com o objetivo de fortalecer o diálogo entre governos, povos e sociedade civil no enfrentamento da crise climática, sendo um passo estratégico rumo à COP30, que acontecerá em Belém do Pará, em 2025.
Durante a Cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade de transformar compromissos em ações concretas e alertou para que a COP30 não se torne apenas mais um espaço de discursos sem resultados:
“É importante que esta seja a COP mais séria de todas as COPs. Que seja a COP da verdade, em que cada país diga claramente se acredita no que está acontecendo no planeta. Porque o dado concreto é que em todas as COPs se tomam muitas decisões, mas depois poucos países trabalham para colocá-las em prática.”
Lula também ressaltou que a realização da COP30 na Amazônia é um chamado para que o mundo conheça a realidade da região e das populações que nela vivem:
“Queremos que conheçam a Amazônia e saibam que na região amazônica de nossos países vivem 50 milhões de pessoas. Debaixo de cada árvore há um extrativista, um pescador, um pequeno trabalhador rural, um indígena. Quem pensa que é preciso manter a floresta em pé tem que saber que é preciso ajudar a pagar para mantê-la em pé.”
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anfitrião da Cúpula, reforçou que o futuro da humanidade depende de uma transição rápida para economias descarbonizadas e que a bioeconomia pode ser um motor de desenvolvimento para os países amazônicos:
“Só há uma maneira real de deixar de consumir petróleo, carvão e gás: reconhecer que uma antiga época, a época fóssil, está morrendo. A nova época é descarbonizada, sem C na economia, para manter o nível de carbono na atmosfera que permite viver. E é aqui, onde está a maior biodiversidade, que se encontra o poder da bioeconomia.”
Petro também destacou a relação entre narcotráfico, violência e destruição da Amazônia, defendendo uma resposta coordenada dos países latino-americanos:
“A segurança da selva é a segurança da humanidade. O narcotráfico e as máfias armadas estão colocando em risco o futuro da floresta e, consequentemente, o equilíbrio climático do planeta.”
A participação da REPAM, por meio da Irmã Irene Lopes, reafirma o compromisso da Igreja de estar presente nesses espaços de escuta e decisão, contribuindo para que a voz dos povos da Amazônia seja ouvida e respeitada.