A Igreja Católica apresentou hoje, no Colégio Santa Catarina de Sena, suas proposições para a COP30, em um simpósio dedicado ao tema “A Igreja Católica na COP30 nos caminhos da Ecologia Integral: refletindo sobre justiça climática e conversão ecológica”. A programação reuniu bispos, lideranças ecumênicas, cientistas, representantes indígenas e autoridades governamentais. Houve também coletiva de imprensa às 14h.
O encontro enfatizou que a crise climática é inseparável da crise social e espiritual, convocando comunidades de fé e sociedade a uma conversão ecológica que vá além de ajustes técnicos, colocando a dignidade humana, os direitos dos povos e o cuidado da Casa Comum no centro das decisões.
“O mundo em que vivemos está se desmoronando… não para incutir medo, mas para despertar responsabilidade pessoal e coletiva. A conversão ecológica não é só mudar comportamentos externos, é renovar o olhar interior”, destacou uma das falas de abertura, ecoando o magistério recente.
Dom Jaime Spengler sublinhou que paz e cuidado da criação caminham juntos:
“Se verdadeiramente desejamos uma paz autêntica, é preciso cuidar da terra e educar para isso. As soluções não podem se reduzir a ajustes técnicos e financeiros; exigem mudança de mentalidade e critérios éticos claros.”

As vozes do Sul Global marcaram a pauta. Representantes da Ásia denunciaram os impactos desproporcionais de eventos extremos, migrações forçadas e a insuficiência do financiamento climático, pedindo transição energética justa que respeite comunidades locais, mulheres e povos tradicionais. Da África, houve forte apelo contra o extrativismo predatório e por um modelo econômico que parta da dignidade das pessoas e dos territórios. Do Pacífico, bispos alertaram para a ameaça existencial do aumento do nível do mar em países como Tuvalu, pedindo ações concretas, educação e apoio direto às comunidades.
“Não serve um conservacionismo que ignora os povos amazônicos. Justiça para a terra e para o ser humano é uma única obra de amor”, lembrou outro trecho, alinhado à Querida Amazônia.
A REPAM acompanhou o simpósio com presença de sua equipe e de lideranças de territórios amazônicos, reforçando a articulação entre espiritualidade, território e ação e o compromisso com a justiça climática, a defesa dos direitos e a Ecologia Integral.

