No quarto dia da COP30, a pauta climática voltou-se diretamente para as pessoas. Saúde, educação, justiça, direitos humanos e integridade da informação foram os eixos centrais dos debates, reafirmando que enfrentar a crise do clima exige proteger vidas, reduzir desigualdades e fortalecer os sistemas que sustentam as comunidades.
A manhã foi marcada pela apresentação do Plano de Ação de Saúde de Belém (BHAP), liderado pelo Brasil, que estabelece um roteiro internacional para construir sistemas de saúde resilientes ao clima. O documento propõe ampliar vigilância, fortalecer capacidades locais e fomentar inovação — sobretudo em soluções digitais e comunitárias.
No grande evento de abertura, o secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, reforçou o caráter humano da agenda climática:
“A humanidade só pode vencer essa luta climática global se conectarmos ações climáticas mais fortes às prioridades das pessoas em suas vidas cotidianas. E poucas prioridades são maiores do que a nossa saúde.”
Ele também destacou que “as parcerias são fundamentais — são os multiplicadores de força de que precisamos para vencer essa luta.”
Durante a sessão, uma nova Coalizão de Financiadores do Clima e da Saúde anunciou US$ 300 milhões destinados a impulsionar soluções práticas vinculadas ao BHAP.
A Mesa-Redonda Ministerial sobre Educação Ecológica, organizada pelo MEC em parceria com a UNESCO, reafirmou o papel da educação no enfrentamento da crise climática. Iniciativas dentro da Greening Education Partnership demonstraram como escolas e professores já estão incorporando conhecimentos, práticas e avaliações orientadas para a sustentabilidade e a alfabetização climática.
O Dia da Justiça Climática e Direitos Humanos reuniu magistradas/os, representantes da ONU, academia, instituições financeiras e organizações da sociedade civil. Os diálogos apontaram caminhos para fortalecer o papel do Judiciário na responsabilização climática e culminaram na Declaração de Belém dos Juízes sobre Mudanças Climáticas.
A sessão sobre Integridade da Informação no Brasil, co-liderada por MMA, MRE e SECOM, apresentou avanços e desafios do país como o primeiro a criar um capítulo nacional da Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas. A sociedade civil, articulada pela rede RPIIC, lançou ferramentas e análises para fortalecer o combate à desinformação — condição central para políticas climáticas eficazes.
Outros destaques do dia
- Arquitetura Tropical: debate com especialistas sobre como princípios do modernismo tropical podem inspirar cidades mais resilientes e de baixo carbono.
- Evento ACE (Ação para o Empoderamento Climático): discutiu o papel da informação confiável e do engajamento social para ampliar a ambição climática.
- Diálogo Climático de Belém com Povos Indígenas: lideranças das sete regiões socioculturais indígenas da ONU dialogaram com a Presidência da COP30, fortalecendo a integração entre conhecimentos tradicionais e a governança climática global.

