Na abertura do Simpósio da CNBB na COP30, o Núncio Apostólico reforçou o chamado da Igreja para uma resposta moral, espiritual e social diante da crise climática. Em sua fala, lembrou que, como ensinou o Papa Francisco, as mudanças climáticas não podem ser vistas apenas como um desafio técnico ou econômico, mas como “uma profunda ferida espiritual e moral que atravessa a consciência da humanidade”.
Retomando a Laudato si’, ele sublinhou que a ecologia integral exige justiça social, escutando simultaneamente “o clamor da terra e o clamor dos pobres”. A degradação ambiental e o sofrimento humano, afirmou, fazem parte de um mesmo drama: a perda do sentido de fraternidade universal.

O Núncio também trouxe à memória as advertências da Exortação Laudate Deum, lembrando que “o mundo em que vivemos está se desmoronando e talvez esteja se aproximando de um ponto de ruptura”. O objetivo, segundo ele, não é gerar medo, mas despertar responsabilidade e conversão ecológica — uma transformação que começa no olhar interior e na redescoberta do ser humano como guardião, e não dono, da criação.
Ao citar o Papa Leão XIV e sua Dilexi Te, o Núncio destacou o vínculo inseparável entre amor evangélico, justiça social e cuidado da casa comum: “Nos pobres Ele ainda tem algo a nos dizer”. Proteger a criação, afirmou, é também proteger os mais vulneráveis, especialmente os povos indígenas, que sofrem os impactos mais graves da degradação ambiental.
No contexto da COP30, realizada na Amazônia, o discurso ganhou força simbólica. O Núncio recordou a Querida Amazônia, onde o Papa Francisco alerta que não se pode dissociar a proteção do bioma da proteção de seus povos: “Não serve um conservacionismo que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazônicos”.
Encerrando sua fala, o representante da Santa Sé afirmou que a missão da Igreja é testemunhar um caminho de cuidado, justiça e reconciliação com a criação. “Quando a fé se torna vida”, disse, “ela devolve ao ambiente seu valor sacramental e transforma a caridade em um novo modo de habitar a terra”.

