Notícia

A sede da CNBB Norte 2 foi tomada nesta manhã por lideranças, parceiros e representantes dos territórios amazônicos para o lançamento oficial da campanha Amazoniza-te, uma iniciativa da REPAM-Brasil que convida à conversão ecológica, ao engajamento comunitário e à defesa da vida na Amazônia.

O evento, marcado por forte simbolismo e espiritualidade, contou com a presença de bispos, representantes de organizações sociais, religiosas e ambientais, além de figuras culturais e comunitárias da região. A mesa de abertura, intitulada “Amazoniza-te: conceito, convivência e engajamento”, reuniu Dom Raimundo Possidônio (Diocese de Bragança (PA), Pastor Antonio Victor (Rede Amazonizar), Karol Marques (WWF-Brasil) e Fafá de Belém, sob mediação de Paulo Martins, da comunicação da REPAM-Brasil.

“Amazonizar, para nós, significa animar o espírito missionário da Igreja, abrir as portas e sair para encontrar as pessoas onde elas estão”, destacou Dom Possidônio. “Amazonizar é transformar: transformar templos em tendas, para que sejamos uma Igreja itinerante, que supere os padrões estáticos e estéticos do anacronismo pastoral. Uma Igreja que vá ao encontro das pessoas com vida despedaçada por uma Amazônia desmatada, e que precisa hoje mais do que nunca reencontrar sentido e esperança. É nessa tenda que nasce uma Igreja mais humana e hospitaleira.”

Em uma fala repleta de emoção e pertencimento, Fafá de Belém trouxe o olhar sensível da cultura amazônica e o valor da escuta às vozes do território:

“Eu sou uma filha comum da Amazônia. Não existe nada sem o cheiro, sem a sensibilidade que vem da vivência com a floresta. A gente aprendeu pela pele. Mas se não olharem para nós, se não nos escutarem, nada serão”, disse a artista, destacando a importância de reconhecer a sabedoria popular e os vínculos afetivos com a região.

O Rev. Antonio Victor, membro da Rede Inter-religiosa Amazonizar, trouxe uma fala firme sobre a importância da convivência, da diversidade e da superação de lógicas colonizantes: 

“Nada sobre nós, sem nós! A Amazônia não é mero cenário. É território sagrado, herança de um Deus que deixou aqui uma carta de amor. A força da convivência nasce quando reconhecemos no outro uma parte de nós mesmos. O diálogo inter-religioso é caminho de paz, justiça e dignidade.” 

Ele também destacou o papel das comunidades de fé diante dos desafios contemporâneos: “Não existe profecia sem engajamento social. Amazoniza-te é nosso chamado profético neste tempo de COP30. Juntos estamos construindo uma nova história religiosa e social na Amazônia, onde a diversidade é elemento constitutivo do Reino de Deus.” 

Representando o WWF-Brasil, Karol Marques trouxe a perspectiva da conservação ambiental e do papel global da Amazônia neste momento histórico em que Belém recebe a maior conferência climática do planeta:

“Nesse momento em que Belém recebe a maior conferência do clima do mundo, nada faz mais sentido do que amazonizar nossas atitudes e atividades. Para que o mundo conheça, respeite e viva a Amazônia como nós vivemos. Que possamos mostrar, com muito orgulho, como a Amazônia é rica, próspera e essencial para o planeta — e que sigamos juntos levando o nome da Amazônia aos lugares certos, mostrando a importância deste bioma.”

A mesa ressaltou que “amazonizar-se” é deixar-se tocar pelo espírito da Amazônia — sua diversidade, suas lutas e sua esperança, traduzindo o chamado à responsabilidade comum frente às crises socioambientais que ameaçam o bioma.

“A campanha Amazoniza-te nos chama a reconhecer a originalidade e a sabedoria dos povos que vivem nesta região — ribeirinhos, quilombolas, povos indígenas e tantas outras comunidades. Para amazonizar-se, é preciso deixar de lado nossos conceitos e preconceitos e mergulhar de verdade na Amazônia. Ao mesmo tempo, temos o compromisso de levar essa beleza, essa cultura e o cuidado com a Casa Comum para o Brasil e para o mundo”, destacou Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil, reforçando o compromisso da REDE em manter viva a missão de cuidar da Casa Comum.

O evento encerrou-se com um momento de bênção e envio, simbolizando o compromisso coletivo em defender a vida, a floresta e os povos da Amazônia.

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