O Tapiri Ecumênico abriu sua programação desta quinta-feira com a Casa das Sabedorias Ancestrais, espaço de espiritualidade, memória e resistência, que iniciou o dia com a mesa “Água, Terra e Soberania: Como Grandes Projetos Ameaçam Povos Indígenas e Tradicionais – Resistência, Agroecologia e Reparação na Amazônia, América Latina e Oceania”. A atividade reuniu lideranças de diversos povos, inaugurando o dia com um profundo momento de escuta, partilha e denúncia sobre as ameaças que recaem sobre territórios indígenas e tradicionais no Brasil e no mundo.
As saudações iniciais, feitas pelos povos indígenas da terra que acolhe a COP30, marcaram a abertura com um chamado à unidade das vozes ancestrais. A sacerdotisa maori May, da Nova Zelândia/Polinésia, trouxe a perspectiva dos povos do Pacífico, ressaltando que a terra, os rios e as montanhas são entidades vivas com direitos e responsabilidades compartilhadas. “Se a terra está bem, o futuro está bem”, afirmou, lembrando que a proteção ambiental é também um compromisso espiritual e geracional.
Da Amazônia, uma pescadora artesanal descreveu os impactos devastadores da emergência climática e dos grandes projetos sobre os territórios amazônicos. A seca histórica, a morte de peixes, a falta de água potável e o isolamento de comunidades revelam uma realidade que ameaça modos de vida inteiros. “Nós não queremos progresso que destrói nossas vidas. Queremos permanecer nos nossos territórios com soberania e dignidade”, destacou.
A pesquisadora Soraia, que acompanha povos tradicionais, reforçou que o direito da natureza nasce da cosmovisão indígena e comunitária. Segundo ela, proteger os territórios é proteger a própria base de resistência climática. “Sem assegurar os direitos dos povos, não há futuro para o planeta”, sintetizou.
Representando o Ministério dos Povos Indígenas da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Shana lembrou que todas as criaturas — humanas e não humanas — são parentes e compartilham a missão de cuidado recíproco. Denunciou ainda os danos causados por petróleo, gás e mineração nos territórios indígenas dos EUA, e enfatizou a necessidade de alianças entre povos e igrejas: “Somos chamados a ser bons parentes, a colocar a mão na massa e a arriscar nossos privilégios em defesa da vida.”
A mesa evidenciou que:
- A crise climática já está em curso e exige medidas urgentes de adaptação;
- Grandes projetos seguem ameaçando povos originários e tradicionais em diferentes continentes;
- Os povos não são vítimas, mas protagonistas de soluções ancestrais e agroecológicas;
- Não existe futuro climático sem justiça territorial.
A REPAM acompanhou a atividade com presença territorial, reafirmando seu compromisso de fortalecer a defesa da vida, dos povos e da casa comum. O dia começou no Tapiri com espiritualidade, verdade e esperança — pilares que seguem guiando todas as ações durante a COP30.

