Uma semana após a realização da COP30 em Belém — quando o mundo voltou seus olhos para a urgência climática e para a centralidade da Amazônia — o anúncio de avanços no projeto da Ferrogrão reacende preocupações profundas sobre o futuro dos territórios e das populações tradicionais.
O momento exige coerência. Depois de uma conferência que reforçou o papel estratégico dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e comunidades tradicionais na proteção dos biomas, é fundamental que a agenda de infraestrutura no país não caminhe na contramão dos compromissos assumidos. Projetos dessa magnitude precisam considerar os impactos socioambientais, a integridade dos ecossistemas e o direito das comunidades que, há séculos, cuidam e preservam a floresta.
O desenvolvimento não pode ocorrer à custa da vida, da cultura e da casa comum. É imprescindível que qualquer decisão sobre a Ferrogrão seja guiada pela justiça socioambiental, pela escuta das populações afetadas e pelo respeito aos processos de consulta livre, prévia e informada.
A REPAM seguirá vigilante e comprometida com a defesa dos povos amazônicos e com a proteção da Amazônia, especialmente neste período em que o país é chamado a reafirmar, na prática, os compromissos climáticos debatidos na COP30.

