Foi realizada, HOJE (30.3), a plenária virtual com o tema “Eleições de 2026 e os conflitos agrários”, promovida pela Campanha Contra a Violência no Campo. A comunicação e a Secretaria Executiva da REPAM-Brasil acompanharam a atividade, reafirmando o compromisso da Rede com a análise de conjuntura, a defesa dos territórios e a incidência em favor dos povos do campo, das águas e das florestas.
O cenário que se projeta para as eleições de 2026 no Brasil está profundamente atravessado pelo aumento dos conflitos agrários e pela intensificação das disputas sobre os territórios. Em um contexto de crise socioambiental e reorganização geopolítica global, cresce também a pressão sobre os bens naturais e sobre os povos do campo, das águas e das florestas.
Dados recentes apontam que o mercado financeiro vinculado ao agronegócio brasileiro ultrapassou R$ 1,3 trilhão em estoque de crédito privado no início de 2026, evidenciando um processo acelerado de financeirização do setor . Instrumentos como LCA, CRA, CPR e fundos de investimento como os Fiagros ampliam a presença de investidores na cadeia produtiva, conectando diretamente o território às dinâmicas do capital financeiro.
Esse modelo, embora apresentado como motor de crescimento econômico, traz implicações concretas para os territórios. A expansão do crédito e dos investimentos tem impulsionado a intensificação da produção e, consequentemente, o aumento das pressões sobre terras, florestas e recursos naturais. Como resultado, observa-se o agravamento dos conflitos agrários, com maior participação de atores privados e, em muitos casos, conivência ou omissão do Estado .
A fragilização de políticas públicas fundamentais, como a reforma agrária e a demarcação de terras indígenas, soma-se à criminalização de lideranças e movimentos sociais, criando um ambiente de insegurança e violação de direitos. Esse cenário tende a se intensificar no período eleitoral, quando disputas políticas podem instrumentalizar os conflitos territoriais e aprofundar a polarização.
A realização da plenária virtual convocada pela Campanha Contra a Violência no Campo, com o tema “Eleições de 2026 e os conflitos agrários”, reforça a urgência de um debate amplo e articulado sobre os impactos dos projetos políticos em disputa . Trata-se de compreender como as decisões tomadas no campo institucional incidem diretamente sobre a vida dos povos e sobre a proteção dos territórios.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o avanço de agendas que buscam flexibilizar normas ambientais e ampliar a exploração de recursos, incluindo propostas relacionadas à mineração em terras indígenas e à intensificação do modelo agroexportador. Esse movimento ocorre em paralelo à expansão de discursos autoritários e à reconfiguração de forças políticas que disputam o controle dos bens comuns.
Diante desse contexto, torna-se fundamental fortalecer a articulação entre organizações, movimentos sociais e redes eclesiais, como a REPAM, promovendo uma comunicação comprometida com os territórios e ampliando a incidência política em defesa da vida.
As eleições de 2026 não se apresentam apenas como um processo democrático formal, mas como um momento decisivo para o futuro dos territórios amazônicos e dos povos que os habitam. A defesa da justiça socioambiental, dos direitos coletivos e da democracia passa, necessariamente, pelo enfrentamento das estruturas que aprofundam as desigualdades e ameaçam a vida.

