Espaço promovido pela REPAM reúne experiências, denúncias e propostas para enfrentar as múltiplas violências contra mulheres nos territórios
A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) realizou um encontro de formação e reflexão sobre Política de Proteção com foco nos territórios, reunindo lideranças, agentes pastorais e representantes de organizações parceiras para aprofundar o debate sobre as diversas formas de violência que afetam mulheres na Amazônia.
O encontro foi marcado por um espaço de escuta e partilha de experiências vividas em diferentes contextos territoriais, especialmente a partir de relatos do Baixo Amazonas, de Marabá e de encontros com mulheres indígenas e comunidades rurais. As discussões evidenciaram a urgência de reconhecer e nomear as múltiplas violências muitas vezes invisibilizadas ou naturalizadas no cotidiano como parte fundamental dos processos de proteção.
Entre os principais pontos abordados, destacou-se a necessidade de ampliar a compreensão sobre a violência para além das formas físicas, incluindo dimensões simbólicas, estruturais e econômicas, como o trabalho doméstico e o cuidado não remunerado, historicamente invisibilizados. Também foram denunciadas situações de violência nos territórios relacionadas à exploração econômica, contaminação ambiental e conflitos que atingem diretamente mulheres e suas comunidades.
Outro eixo importante do encontro foi a preocupação com o aumento das violências no ambiente digital, especialmente entre jovens, evidenciando a necessidade de ações formativas e preventivas também nas redes sociais. Além disso, foram compartilhados desafios enfrentados por mulheres indígenas, incluindo o silenciamento institucional e a dificuldade de acesso a canais seguros de denúncia.
No campo eclesial, o encontro também abriu espaço para refletir sobre práticas e estruturas que ainda reproduzem desigualdades de gênero, reforçando a importância de promover ambientes seguros, de escuta e de corresponsabilidade dentro das comunidades.
Como encaminhamentos, foram propostas ações concretas, como o fortalecimento de processos formativos nos territórios, a criação de grupos de trabalho com universidades e organizações parceiras para monitoramento das violências, e a ampliação de redes de proteção e acolhimento. Também foi destacada a importância de envolver homens e jovens nas estratégias de prevenção, promovendo uma mudança cultural mais ampla.
A iniciativa reafirma o compromisso da REPAM com a defesa da vida, a promoção da dignidade das mulheres e o fortalecimento de territórios seguros, a partir de uma abordagem integral que articula justiça socioambiental, direitos humanos e cuidado comunitário.

