A REPAM-Brasil participou, entre os dias 18 e 23 de maio, da programação especial pelos 10 anos do projeto de extensão “Vivência Amazônica”, promovido pelo Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília (UnB). A agenda reuniu estudantes, pesquisadores, representantes de territórios amazônicos e organizações comprometidas com a defesa da Amazônia e de seus povos.
Representando a REPAM, estiveram presentes o presidente Dom Evaristo Pascoal Spengler e a secretária executiva Ir. Maria Irene Lopes, e o assessor jurídico Melillo Dinis, que participaram de três momentos centrais da programação: o encontro com representantes dos territórios que acolheram as vivências amazônicas, a escuta dos estudantes participantes do projeto e uma audiência institucional com a reitora da UnB, professora Rosana Reigota.
Criado em 2017, o projeto “Vivência Amazônica” integra o trabalho do Núcleo de Estudos Amazônicos da UnB e promove, anualmente, uma imersão de estudantes em diferentes territórios da Amazônia. Ao longo da última década, a iniciativa já passou por estados e regiões como Marajó, Roraima e outros territórios amazônicos, contando com o apoio pastoral e organizativo da REPAM e das Igrejas locais.
Durante os debates, representantes dos territórios compartilharam os desafios vividos atualmente na Amazônia, marcados pela pressão sobre os povos indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas e pequenos agricultores, além das ameaças aos rios e às florestas.
Para Dom Evaristo Pascoal Spengler, um dos frutos mais importantes da iniciativa é o compromisso que nasce nos estudantes após a experiência nos territórios amazônicos.
“As palavras que eu mais ouvia dos estudantes foi transformação. A vivência amazônica me transformou, não só academicamente, mas também transformou o meu modo de pensar e o meu modo de viver. Muitos deles agora serão defensores da Amazônia nos lugares onde estiverem e nas áreas em que atuarão profissionalmente”, destacou.
Os estudantes também relataram que a experiência permitiu conhecer uma Amazônia concreta, distante das visões estereotipadas frequentemente reproduzidas fora da região. Segundo Dom Evaristo, esse contato direto amplia horizontes e fortalece uma rede de pessoas comprometidas com a defesa da vida e dos territórios amazônicos.
Outro momento importante da agenda foi a audiência com a reitora da UnB, quando foi discutido o fortalecimento do compromisso da universidade com a Amazônia, os biomas brasileiros e as pautas socioambientais. Na ocasião, também foi proposta a construção de um protocolo de intenções entre a REPAM e a UnB, visando ampliar ações conjuntas de pesquisa, extensão e formação.
“Buscamos fortalecer o compromisso da Universidade de Brasília com a Amazônia e com todos os biomas brasileiros. Também propomos um protocolo de intenções entre a REPAM e a UnB para construirmos um caminho conjunto em defesa da vida, dos territórios e da Casa Comum”, afirmou Dom Evaristo.
A programação também reforçou a importância da aproximação entre universidade, territórios e organizações sociais na construção de soluções para os desafios ambientais e humanos da Amazônia.
Ao final da semana, Dom Evaristo Pascoal Spengler destacou o impacto do encontro entre lideranças amazônicas e estudantes de diversas áreas do conhecimento.
“A grande certeza que levo dessa semana é que esse encontro entre pessoas vindas dos territórios, com longa trajetória de defesa da Amazônia, e jovens estudantes fortaleceu um caminho de compromisso com a floresta, os rios e os povos amazônicos. Um estudante dizia: ‘Nós queremos ser um de vocês no futuro, ocupando esse espaço de defesa da Amazônia’. Isso é muito significativo.”