A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) participou, nesta segunda-feira (15), de uma audiência institucional com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Odair Cunha, relator dos processos relacionados à Ferrogrão (EF-170). O encontro teve como objetivo apresentar um convite para que representantes do Tribunal realizem uma visita aos territórios potencialmente afetados pelo empreendimento.
A agenda integra um esforço coletivo de articulação entre organizações indígenas, entidades socioambientais, movimentos populares e instituições ligadas à Igreja Católica, que defendem a ampliação da escuta e da participação social nos processos decisórios que envolvem grandes projetos de infraestrutura na Amazônia. Ao todo, 30 organizações subscrevem o convite institucional entregue ao ministro.
A proposta é que representantes do TCU, incluindo a equipe técnica responsável pelo acompanhamento do caso, conheçam diretamente os territórios e dialoguem com povos indígenas, comunidades tradicionais, pesquisadores, autoridades locais e organizações da sociedade civil.
A iniciativa busca contribuir para a qualificação do debate institucional sobre a Ferrogrão, reconhecendo que os impactos associados ao empreendimento transcendem aspectos econômicos e logísticos, envolvendo também questões territoriais, ambientais, climáticas, sociais e culturais.
A REPAM-Brasil atuou na articulação desse amplo arco de alianças, reforçando seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos amazônicos e com a promoção de processos de desenvolvimento pautados pela justiça socioambiental, pela participação social e pelo diálogo.
Entre as organizações signatárias do convite estão entidades representativas dos povos indígenas, movimentos sociais, organizações socioambientais e organismos da Igreja Católica, como a REPAM-Brasil, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Cáritas Brasileira.
A Ferrogrão (EF-170) é um projeto ferroviário em discussão no âmbito do TCU e está inserida em um contexto mais amplo de transformação territorial da Amazônia e do Cerrado, envolvendo o corredor logístico da BR-163, a expansão portuária do Arco Norte e os desafios relacionados à proteção dos territórios indígenas, das comunidades tradicionais e da biodiversidade amazônica.

