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Uma história pouco conhecida da Amazônia revela a presença de uma expedição alemã que percorreu a região do Rio Jari, entre o Pará e o Amapá, nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Apresentada oficialmente como uma missão científica, a iniciativa teria também interesses estratégicos ligados à Alemanha nazista e à possibilidade de avanço em direção à Guiana Francesa.

A expedição foi liderada pelo geólogo e piloto alemão Otto Schulz-Kampfhenkel e chegou a Belém com apoio das autoridades locais para realizar pesquisas e explorar uma área ainda pouco conhecida pelos europeus. Um dos principais registros dessa jornada está no livro Mistérios do Inferno da Mata Virgem, publicado em 1938, no qual Schulz-Kampfhenkel relata detalhes da incursão pela Amazônia.

Além das pesquisas científicas, os alemães produziram um amplo levantamento da região. A missão reuniu milhares de fotografias, metros de filmes em 35 mm e uma grande quantidade de espécimes da fauna e objetos arqueológicos, posteriormente enviados à Alemanha. A expedição também transportava toneladas de suprimentos e uma quantidade significativa de munição.

O Rio Jari, entretanto, impôs dificuldades que não estavam nos planos. Raso, pedregoso e marcado por fortes corredeiras, impossibilitou parte do deslocamento previsto. Os expedicionários tiveram de seguir em embarcações e por terra, dependendo do conhecimento e do trabalho de indígenas e caboclos da região para avançar pela floresta.

Doenças e acidentes também marcaram a jornada. O alemão Joseph Greiner morreu após contrair malária e foi enterrado em uma ilha do Rio Jari. Uma cruz com uma suástica marcou o local de seu sepultamento, tornando-se um dos símbolos mais conhecidos dessa controversa passagem alemã pela Amazônia.

A expedição prosseguiu até 1937, enfrentando malária, acidentes e outros problemas de saúde. Há ainda relatos de que integrantes do grupo mataram uma sucuri de aproximadamente sete metros, considerada sagrada por indígenas da região, que teriam interpretado os infortúnios posteriores como consequência daquele ato.

Por trás da narrativa de aventura e exploração científica, o episódio levanta questões mais profundas sobre os interesses geopolíticos da Alemanha nazista na América do Sul. O levantamento de rios, rotas e caminhos em direção à Guiana Francesa poderia ter valor estratégico diante da guerra que se aproximava.

A história também evidencia uma prática recorrente nos processos de exploração da Amazônia: o território observado a partir de interesses externos, enquanto conhecimentos, recursos naturais, objetos arqueológicos e registros de seus povos eram apropriados e levados para fora da região.

Revisitar esse episódio é, portanto, mais do que recuperar uma curiosidade histórica. É refletir sobre as diferentes formas de cobiça e exploração que atravessaram — e ainda atravessam — a história da Amazônia, reafirmando a importância da soberania sobre seus territórios e do respeito aos povos que nela vivem.

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