No dia 11 de setembro de 2026, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) celebrou 12 anos de caminhada em um encontro online marcado pela memória, espiritualidade, partilha e renovação do compromisso com a Amazônia e seus povos.
A celebração reuniu integrantes da Rede, parceiros, lideranças e representantes de diferentes iniciativas e territórios da Pan-Amazônia. Mais do que recordar uma trajetória, o encontro possibilitou reconhecer os frutos construídos coletivamente, escutar experiências dos territórios e refletir sobre os desafios que permanecem presentes na missão da REPAM.
Ao longo da celebração, foram reafirmados princípios que orientam a atuação da Rede: a defesa da Casa Comum, dos povos indígenas e comunidades tradicionais, a promoção da ecologia integral, o fortalecimento das organizações locais e a presença junto às populações amazônicas.
Memória, espiritualidade e compromisso
Em sua reflexão, Dom Evaristo Spengler destacou a dimensão espiritual e pastoral da missão da REPAM e a necessidade de manter viva a esperança diante dos desafios ambientais, sociais e humanos enfrentados na Amazônia.
Também foi recordado o legado do Papa Francisco e sua contribuição para fortalecer, na Igreja e na sociedade, o compromisso com a ecologia integral e com a defesa dos povos e territórios ameaçados.
Joana Menezes ressaltou que os 12 anos da REPAM são resultado de uma caminhada construída a partir da escuta, da articulação, da resistência e da presença nos territórios.
Símbolos como terra, água e vela acompanharam a celebração, representando a vida, a memória, o território e a esperança. A chama acesa tornou-se expressão do compromisso de continuar defendendo a Amazônia e mantendo viva a missão construída em rede.
As vozes dos territórios
As partilhas evidenciaram a importância da presença concreta da REPAM junto às comunidades.
Lidiane Cristo, a partir da experiência do Comitê Norte 1, destacou a necessidade de continuidade dos processos territoriais, especialmente aqueles voltados ao fortalecimento das juventudes, das mulheres e das organizações comunitárias.
Eliane Gentil apresentou experiências relacionadas à agricultura familiar e à produção comunitária, mostrando como iniciativas desenvolvidas nos territórios contribuem para a geração de autonomia, segurança alimentar e fortalecimento das famílias.
Ao mesmo tempo, os relatos apontaram desafios como acesso à água, infraestrutura, disponibilidade de insumos e recursos para garantir a continuidade das atividades.
Nesse contexto, foi ressaltado que a contribuição da REPAM vai além do apoio financeiro. A Rede exerce um papel importante na articulação de pessoas e instituições, na formação, na troca de conhecimentos e no acompanhamento dos processos desenvolvidos pelas próprias comunidades.
Produção comunitária e autonomia
As experiências compartilhadas também reforçaram a importância da agroecologia, da agricultura familiar e da produção comunitária como caminhos para a autonomia dos territórios.
O encontro ressaltou a necessidade de acompanhar essas iniciativas de forma continuada, valorizando os saberes locais e registrando não apenas os resultados alcançados, mas também os desafios encontrados durante sua realização.
Fortalecer essas experiências significa contribuir para a segurança alimentar, para a geração de renda e para a permanência digna das populações em seus territórios.
Registrar experiências e fortalecer o conhecimento
Outro ponto destacado durante o encontro foi a importância da sistematização das experiências e dos resultados produzidos pela REPAM.
Istélia chamou atenção para a necessidade de integrar informações quantitativas e qualitativas, reconhecendo que muitos dos impactos construídos nos territórios não podem ser compreendidos apenas por indicadores numéricos.
Visitas às comunidades, escutas, relatos de experiência, estudos de caso, registros de metodologias e acompanhamento de processos foram apontados como instrumentos importantes para tornar mais visíveis as transformações promovidas pelas iniciativas locais.
A aproximação com universidades, pesquisadores e centros de pesquisa também apareceu como uma oportunidade para ampliar o reconhecimento das experiências desenvolvidas nos territórios e fortalecer a produção de conhecimento a partir da realidade amazônica.
Formação e juventudes
A formação permanece como uma das dimensões centrais da atuação da REPAM.
Enaile, do NEAz/UnB, destacou a contribuição da Rede para aproximar estudantes, universidades e comunidades, possibilitando processos formativos conectados às realidades da Amazônia.
Matias reforçou a importância da continuidade do trabalho com as pastorais sociais, da realização de assembleias e da valorização das diferentes manifestações culturais presentes nos territórios, incluindo poetas, artistas, lideranças comunitárias e agentes pastorais.
O fortalecimento das juventudes, a formação nas escolas e a preparação de novas lideranças também foram apontados como caminhos fundamentais para a continuidade da missão da Rede.
Uma Rede que ultrapassa fronteiras
A dimensão pan-amazônica também esteve presente nas reflexões sobre os desafios enfrentados pelas populações em situação de mobilidade.
As realidades das regiões de fronteira e os deslocamentos entre países como Venezuela, Peru e Bolívia reforçam a necessidade de respostas articuladas, capazes de promover acolhida, solidariedade, proteção e acompanhamento aos povos em movimento.
Essa realidade evidencia que os desafios amazônicos ultrapassam fronteiras nacionais e exigem uma atuação construída em rede entre diferentes países, comunidades e organizações.
Cultura e esperança para continuar caminhando
A cultura, a poesia e a espiritualidade deram o tom de diversos momentos da celebração.
Benedito e outros participantes trouxeram palavras e imagens inspiradas na natureza, na vida dos povos e nos territórios amazônicos, lembrando que a caminhada da REPAM também se constrói por meio das relações, da memória, da cultura e da esperança.
Ao completar 12 anos, a REPAM reafirma que sua força nasce da presença nos territórios e da capacidade de conectar pessoas, comunidades e organizações em defesa da vida.
O encontro foi, assim, um momento de agradecimento pelo caminho percorrido, mas também de renovação da missão.
Seguir escutando os territórios, fortalecendo os povos e comunidades, valorizando seus saberes e mantendo acesa a chama da esperança e da defesa da Casa Comum permanece como compromisso para os próximos anos de caminhada da REPAM.




