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Rede Eclesial Pan-Amazônica reafirma missão de caminhar junto aos povos e territórios, fortalecendo a defesa da vida e o cuidado com a Casa Comum 

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) celebra 12 anos de uma caminhada construída coletivamente, marcada pela presença nos territórios, pela escuta dos povos e pela articulação em defesa da Amazônia. Mais do que recordar uma trajetória, a data representa a renovação de um compromisso assumido pela Igreja: estar ao lado daqueles que vivem, cuidam e defendem a Amazônia. 

Ao longo desses 12 anos, a REPAM vem se constituindo como espaço de encontro, escuta e articulação. Sua caminhada nasce do compromisso da Igreja com a vida e se fortalece na relação com povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações, pastorais, movimentos sociais, instituições e tantas pessoas comprometidas com a defesa da Casa Comum. 

Essa trajetória tem como um de seus fundamentos a escuta dos territórios. As experiências, os saberes, as denúncias e as esperanças que nascem das comunidades ajudam a orientar a atuação da Rede. Caminhar em rede significa construir vínculos, reconhecer os saberes que brotam dos territórios e fortalecer o protagonismo de quem vive e cuida da Amazônia, transformando a escuta em compromisso, ação e incidência. 

Presença que se traduz em ações nos territórios 

No Brasil, parte dessa caminhada pode ser dimensionada pelos resultados recentes da atuação da REPAM-Brasil. Somente em 2025, 2.093 pessoas foram alcançadas diretamente por iniciativas territoriais voltadas à justiça socioambiental, ao fortalecimento comunitário e à incidência política. As ações estiveram presentes em seis estados da Amazônia brasileira — Pará, Maranhão, Tocantins, Acre, Roraima e Amazonas — e em mais de 15 territórios, envolvendo comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e rurais. 

Os resultados ajudam a revelar a diversidade dessa presença. Em Gurupá e Afuá, no Pará, 54 mulheres ribeirinhas participaram de ações relacionadas ao cultivo de moringa, com a implantação de canteiros comunitários e a distribuição de 500 mudas. No Maranhão, iniciativas de formação e geração de renda envolveram 30 mulheres e mobilizaram 400 famílias agricultoras, fortalecendo a organização territorial e a agroecologia. 

O trabalho também alcançou juventudes e povos originários. Encontros apoiados pela Rede reuniram 60 jovens indígenas no Pará e Amapá e 100 mulheres indígenas na Terra Indígena Sororó. Já o Festival de Cultura Indígena do Eware reuniu cerca de 500 pessoas, promovendo a valorização cultural e a reflexão sobre água e mudanças climáticas. 

A incidência socioambiental também tem sido uma dimensão importante dessa atuação. Em Afuá, uma conferência ambiental reuniu 70 participantes; em Marabá, um seminário mobilizou 88 lideranças para a construção de estratégias de incidência e reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas. Em Araguaína, comunidades urbanas e rurais construíram coletivamente uma carta de demandas socioambientais destinada ao poder público. 

Uma missão que se renova 

Os 12 anos da REPAM também são atravessados por muitos desafios. A Amazônia continua enfrentando ameaças que atingem diretamente seus povos, suas florestas, seus rios e toda a sua sociobiodiversidade. Diante dessa realidade, a Rede reafirma uma convicção que acompanha sua missão: defender a Amazônia é defender a vida em todas as suas formas. 

Por isso, celebrar esse aniversário não significa apenas recordar o caminho percorrido. É também renovar a missão de continuar presente nos territórios, fortalecendo processos de formação, articulação, defesa de direitos e mobilização em favor dos povos e da Amazônia. 

Inspirada pelo chamado à ecologia integral, a REPAM cultiva uma espiritualidade que reconhece a profunda relação entre as pessoas, os territórios, a terra, a água, a floresta e todas as formas de vida. É nessa perspectiva que a Rede segue apostando na participação, na corresponsabilidade e na esperança como caminhos de transformação. 

Uma história construída por muitas mãos 

Celebrar os 12 anos é também reconhecer que essa história é resultado de uma construção coletiva. Cada pessoa, comunidade e organização que participou dessa caminhada faz parte dessa trajetória. Encontros, ações nos territórios, processos formativos, gestos de solidariedade, mobilizações e vozes que se levantaram em defesa da Amazônia contribuíram para construir e fortalecer a Rede. 

Na Carta da Presidência da REPAM-Brasil, por ocasião da celebração dos 12 anos, Dom Evaristo Pascoal Spengler, OFM, bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, expressa a gratidão a todas as pessoas, comunidades e organizações que fazem parte dessa história e reforça a necessidade de renovar o compromisso com a missão. 

A mensagem convida a “seguir fortalecendo os vínculos que nos unem, ampliando nossas redes e construindo caminhos de justiça socioambiental, respeito aos povos e cuidado com a Casa Comum”

A celebração dos 12 anos, portanto, não se encerra na memória do caminho já percorrido. Ela aponta para a continuidade de uma missão que se constrói no encontro, na presença, na escuta e na capacidade de articular diferentes vozes em torno da defesa da Amazônia e de seus povos. 

Como sintetiza a Carta da Presidência da REPAM-Brasil, são “12 anos de história com os pés nos territórios, o coração na Amazônia e a esperança no futuro.” 

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