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Novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta que cada fração adicional de aquecimento importa e reforça a necessidade de unir redução de emissões, adaptação, justiça climática e proteção dos povos e ecossistemas mais vulneráveis.

O mundo está cada vez mais próximo de ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global em relação aos níveis pré-industriais. O alerta está no relatório Limiting Overshoot: Navigating exceedance of 1.5°C and pathways towards return, publicado em 2026 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Segundo o documento, mesmo em um cenário otimista, considerando a implementação integral dos atuais planos climáticos nacionais e o cumprimento das metas adicionais de emissões líquidas zero, a temperatura global poderá atingir um pico de 1,8°C.

O relatório é enfático ao afirmar que ultrapassar 1,5°C não pode ser considerado seguro ou aceitável. Entre as consequências estão a aceleração da elevação do nível do mar, o aumento do calor extremo e dos incêndios florestais, a perda de geleiras e o agravamento da crise dos ecossistemas. Também cresce o risco de pontos de inflexão irreversíveis em sistemas fundamentais para o equilíbrio do planeta, entre eles as calotas de gelo da Groenlândia e da Antártida Ocidental, a circulação do Oceano Atlântico e a floresta amazônica.

Amazônia no centro da emergência climática

A inclusão da Amazônia entre os sistemas ameaçados por mudanças potencialmente irreversíveis reforça a urgência de proteger a floresta, seus territórios e os povos e comunidades que historicamente cuidam desse bioma.

Os efeitos do aquecimento global também se espalham pela vida cotidiana das populações. O PNUMA aponta riscos crescentes para a segurança alimentar e hídrica, a saúde, as cidades, as infraestruturas e os meios de subsistência. Sem adaptação eficaz, as projeções citadas pelo relatório indicam que a produção global de alimentos poderá sofrer redução de até 14% até 2050.

Apesar do cenário preocupante, a meta internacional continua sendo limitar o aquecimento médio de longo prazo a 1,5°C. Diante da possibilidade de ultrapassagem, o desafio passa a ser conter ao máximo esse aumento e reduzir sua duração, ao mesmo tempo em que são ampliadas as ações de adaptação aos impactos que já estão ocorrendo.

O relatório propõe uma trajetória de “ultrapassagem, pico e declínio”: manter o aumento da temperatura no menor nível possível, alcançar o pico e, posteriormente, reduzi-lo, buscando retornar a 1,5°C até o final do século. O próprio documento ressalta, porém, que esse caminho não é desejável nem seguro, mas representa a melhor opção ainda disponível diante da insuficiência das ações realizadas até agora.

Cada fração de grau importa

Uma das principais mensagens do estudo é que evitar cada fração adicional de aquecimento e diminuir o tempo em que o planeta permanecer acima de 1,5°C pode reduzir riscos, perdas e danos. Para isso, será necessário acelerar profundamente a redução das emissões de gases de efeito estufa, especialmente de metano e outros poluentes climáticos de curta duração, e ampliar medidas transformadoras de adaptação.

O PNUMA organiza essa resposta em três fases interligadas: uma resposta imediata, com cortes profundos nas emissões e proteção urgente das pessoas e ecossistemas mais vulneráveis; uma etapa de enfrentamento e contenção, com descarbonização profunda e fortalecimento da resiliência das sociedades; e uma fase de longo prazo, voltada à redução sustentada do CO₂ atmosférico, à sustentabilidade e à adaptação permanente diante de impactos que já não possam ser revertidos.

Justiça climática deve orientar as decisões

O relatório também destaca que equidade e justiça precisam estar no centro das estratégias climáticas. Países com maior responsabilidade histórica pelas mudanças climáticas e maior capacidade de resposta devem agir de maneira mais rápida e ambiciosa, enquanto as populações mais afetadas precisam participar efetivamente das decisões e da implementação das políticas de mitigação e adaptação.

Essa perspectiva dialoga diretamente com a missão da REPAM-Brasil, que defende uma Amazônia viva, seus povos, territórios e modos de vida. Diante de uma crise climática que atinge de maneira desigual as populações, proteger a Amazônia não pode ser dissociado da promoção da justiça socioambiental, da participação social e do reconhecimento daqueles que menos contribuíram para o aquecimento global, mas estão entre os primeiros a sofrer seus impactos.

O alerta do PNUMA é também um chamado à ação: decisões tomadas agora e nos próximos anos serão determinantes para limitar a intensidade e a duração da ultrapassagem de 1,5°C. Proteger a Amazônia, fortalecer seus povos e reduzir rapidamente as emissões são partes de um mesmo compromisso com a vida e com o futuro da Casa Comum.

Confira o relatório http://repam.org.br/wp-content/uploads/2026/09/UNEP-Overshoot-Spotlight-Report.pdf

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