Notícia

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, trazendo um retrato atualizado da violência e das disputas no meio rural. Mesmo com uma leve redução no número total de ocorrências, o novo levantamento revela um cenário preocupante: a violência no campo se intensificou, especialmente nas regiões mais pressionadas pela disputa por terra e recursos naturais.

Um dos dados que mais chama atenção é o aumento da letalidade. Em 2025, o número de assassinatos no campo dobrou em relação ao ano anterior, passando de 13 para 26 vítimas, evidenciando que os conflitos têm se tornado mais graves e violentos . Além disso, o relatório aponta crescimento nos casos de trabalho escravo rural e no número de trabalhadores resgatados dessa condição, reforçando a persistência de violações estruturais de direitos no campo .

A Amazônia Legal permanece como o principal território dessas disputas. Historicamente, a região concentra a maior parte dos conflitos no país, resultado da sobreposição de interesses econômicos sobre territórios tradicionais e áreas ambientalmente sensíveis. Esse padrão se mantém em 2025, com destaque para estados como Pará, Rondônia, Maranhão e Amazonas, onde a violência segue diretamente ligada ao avanço da fronteira econômica.

Os conflitos continuam sendo majoritariamente relacionados à terra. Dados recentes indicam que cerca de 80% das ocorrências no campo têm origem em disputas fundiárias, envolvendo despejos, expulsões, invasões, grilagem e destruição de comunidades . Ao lado disso, os conflitos por água e os casos de trabalho escravo completam o cenário de violação de direitos.

As populações mais afetadas seguem sendo os povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e agricultores familiares. Esses grupos estão na linha de frente da defesa dos territórios e, ao mesmo tempo, entre os mais vulneráveis às violências praticadas no campo. Em muitos casos, enfrentam ameaças constantes, perda de seus meios de subsistência e ataques diretos à sua integridade física e cultural.

Outro aspecto que se intensifica é a relação entre os conflitos e a crise socioambiental. A expansão do agronegócio, o garimpo, o desmatamento e a grilagem continuam impulsionando disputas, ao mesmo tempo em que agravam a degradação ambiental e comprometem a vida nos territórios. A Amazônia, nesse contexto, torna-se o centro de uma crise que é ao mesmo tempo social, ambiental e política.

Mesmo diante desse cenário, o relatório também evidencia a presença de resistências. Mobilizações sociais, ações comunitárias e articulações em defesa dos territórios seguem sendo fundamentais na luta por direitos e pela preservação da vida.

Para a REPAM-Brasil, a divulgação e análise desses dados são essenciais para fortalecer a denúncia das violências, dar visibilidade aos povos atingidos e contribuir na construção de caminhos de justiça socioambiental. À luz da Ecologia Integral, reafirma-se a urgência de proteger os territórios e garantir os direitos dos povos da Amazônia, que continuam sendo guardiões da Casa Comum.

Confira os dados.

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