Rosangela Benjamim
O trabalho árduo e dedicado das mulheres de Gurupá não apenas protege nosso ambiente, mas também fortalece os laços comunitários e promove um desenvolvimento sustentável

No coração da Amazônia, onde a exuberância da natureza contrasta com os desafios impostos pela ação humana, emergem histórias inspiradoras de mulheres que não apenas resistem, mas lideram iniciativas cruciais para a preservação ambiental e o bem-estar das comunidades. Como educadora em Gurupá, Pará, tenho testemunhado de perto o poder transformador das ações locais e a importância vital da conscientização ambiental nas escolas e pastorais.
Aqui, as mulheres não só enfrentam as consequências diretas das mudanças climáticas, como a seca que afeta os rios e a saúde das crianças, mas também lideram iniciativas para mitigar esses impactos. Nosso projeto dos Guardiões Ambientais de Ribeirinho não se limita a defender os recursos naturais; ele é um testemunho vivo do compromisso comunitário e da força feminina.
É crucial destacar que muitas dessas mulheres, inicialmente limitadas pela falta de apoio ou por normas sociais restritivas, hoje desempenham papéis essenciais na liderança comunitária. Antes, algumas não podiam sair de casa sem a permissão dos maridos, uma realidade que, felizmente, está mudando. Agora, não só participam ativamente dos projetos locais, mas também contam com o apoio de seus esposos, que reconhecem o valor dessas iniciativas para toda a comunidade.

Nossos esforços não são isentos de desafios. Enfrentamos obstáculos diários e, por vezes, somos confrontados com a resistência de certos setores. No entanto, é a solidariedade entre as mulheres e o apoio crescente de outras partes da comunidade que nos impulsionam a seguir em frente. Como diz o provérbio africano, “gente simples fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, conseguem mudanças extraordinárias“. Esta frase ressoa profundamente conosco, pois reflete não apenas na nossa luta, mas também na esperança em um futuro melhor.
A conscientização ambiental que promovemos não se limita apenas às aulas nas escolas. Ela é uma abordagem holística para transformar mentalidades e inspirar ação comunitária. Desde campanhas de limpeza até a educação sobre práticas sustentáveis, cada pequena ação contribui para um impacto positivo duradouro em nossa região.
Portanto, enquanto enfrentamos os desafios de hoje, olhamos para o futuro com esperança renovada. O trabalho árduo e dedicado das mulheres de Gurupá não apenas protege nosso ambiente, mas também fortalece os laços comunitários e promove um desenvolvimento sustentável. Somos todos parte dessa jornada, cada um fazendo sua parte, como o beija-flor que, com pequenas gotas de água, combate ao fogo na floresta.
Em suma, é através da educação, da conscientização e da cooperação que podemos construir um futuro onde as mulheres não só têm voz, mas também liderança ativa na proteção de nossa preciosa Amazônia. Esta é nossa responsabilidade compartilhada, é nossa promessa para as gerações futuras.
Que possamos continuar trabalhando juntos, lado a lado, para preservar e prosperar em harmonia com a natureza que tanto amamos e dependemos.
Rosângela Benjamim é ribeirinha, professora, técnica de enfermagem, teóloga, ativista ambiental e de movimentos sociais, presidente de uma associação de mulheres ribeirinhas, unidas pelo desenvolvimento social, ambiental, cultural e educacional.