Notícia

A Arquidiocese de Santarém publicou, em 12 de fevereiro de 2026, a Carta de Santarém – Nota Pastoral em Defesa do Rio Tapajós, posicionando-se firmemente contra o Decreto nº 12.600/2025, que inclui trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).

O decreto abre caminho para a concessão e exploração hidroviária desses rios, prevendo intervenções como dragagens de sedimentos e retirada de massas rochosas, a fim de permitir a circulação de embarcações de grande porte. Para a Igreja na Amazônia, essa medida representa uma grave ameaça socioambiental, cultural e espiritual.

Rio não é mercadoria

Na Carta, a Arquidiocese afirma que o Rio Tapajós é dom de Deus e fonte de vida, sustentando povos indígenas, comunidades ribeirinhas e populações urbanas. É espaço de biodiversidade, cultura, espiritualidade e economia baseada na pesca, no extrativismo e no turismo sustentável.

A Nota Pastoral alerta que a modificação estrutural dos rios e o aumento do fluxo de grandes embarcações podem gerar impactos irreversíveis:

  • destruição de ecossistemas aquáticos;
  • prejuízos à pesca e à soberania alimentar;
  • ameaça aos modos de vida tradicionais;
  • intensificação de conflitos territoriais;
  • violação de direitos das comunidades que dependem diretamente das águas.

À luz do Evangelho e inspirada pela encíclica Laudato Si’, a Igreja recorda que “tudo está interligado” e que o cuidado com a natureza é inseparável do cuidado com os pobres e com o futuro da humanidade.

Memória de Dorothy Stang

A Carta foi publicada na data em que se recorda o martírio de Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005 por sua atuação em defesa da Amazônia e dos povos da floresta. Seu testemunho é reafirmado como inspiração para a luta pela justiça socioambiental.

Mobilização: Revoga Já!

Movimentos sociais e organizações da Amazônia também impulsionam a campanha “Revoga Já”, pedindo a revogação imediata do Decreto 12.600/2025.

A Rede Eclesial Pan-Amazônica soma-se a esse clamor em defesa da vida, dos territórios e dos rios amazônicos.

Cuidar do rio é cuidar do povo. Defender o rio é defender a vida.
Nossos rios não são mercadorias.

A REPAM reafirma seu compromisso com a justiça socioambiental e com a defesa da Casa Comum, em comunhão com os povos da Amazônia e com todas as organizações que resistem à mercantilização dos bens naturais.

Não ao Decreto 12.600/2025.

Confira aqui – NOTA PASTORAL EM DEFESA DO RIO TAPAJÓS
Arquidiocese de Santarém – Pará

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