Integrante da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB participou do IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado
A construção de uma cultura do cuidado capaz de prevenir violências, proteger pessoas vulneráveis e transformar práticas e relações dentro da Igreja passa pelo fortalecimento da articulação e da cooperação em rede. Essa foi uma das principais reflexões destacadas por Ir. Maria Irene Lopes dos Santos, secretária executiva da REPAM-Brasil e integrante da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, após sua participação no IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado.

O encontro reuniu representantes de diferentes países em dias de escuta, partilha e reflexão sobre os desafios e caminhos para consolidar ambientes e práticas comprometidos com a proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis.
“Participar deste IV Encontro foi uma experiência muito significativa. Foram dias de escuta, partilha, reflexão e, sobretudo, de fortalecimento de uma convicção comum: construir uma cultura do cuidado é uma responsabilidade de toda a Igreja”, destaca Ir. Maria Irene.
Para ela, a diversidade das realidades vividas na América Latina e no Caribe reforça a necessidade de respostas construídas coletivamente. “Nenhuma Igreja local, Conferência Episcopal, congregação religiosa ou instituição pode enfrentar sozinha essa missão. Precisamos fortalecer redes de cooperação, compartilhar experiências e boas práticas e aprender uns com os outros.”
Para além dos protocolos
Entre as reflexões do encontro, Ir. Maria Irene ressalta que a consolidação de uma cultura do cuidado não pode se limitar à criação de protocolos e normas. Embora fundamentais, esses instrumentos precisam estar acompanhados de mudanças nas relações, nas práticas pastorais e na própria forma de exercer a missão e a autoridade na Igreja.
“Isso implica prevenir todas as formas de abuso, inclusive os abusos de poder, de consciência e de autoridade, promover ambientes seguros e, sobretudo, colocar sempre a dignidade da pessoa humana no centro”, afirma.
A reflexão também esteve presente na fala do núncio apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, que destacou a prevenção dos abusos como uma dimensão que toca o próprio coração da missão da Igreja.
Segundo Ir. Maria Irene, a mensagem reforçou a necessidade de superar respostas apenas reativas diante das situações de violência e avançar na construção de uma cultura permanente de cuidado e salvaguarda, capaz de prevenir, escutar, acompanhar, reparar e transformar práticas e estruturas.
Entre os desafios atuais, também foram ressaltados os riscos presentes nos ambientes digitais e a importância da formação permanente, da responsabilidade, da prestação de contas e da construção de redes de cooperação para que nenhuma pessoa fique sem proteção.
Compromissos que precisam chegar aos territórios
Para Ir. Maria Irene, que integra a Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, as reflexões do encontro também renovam o compromisso de transformar os debates em ações concretas nas comunidades, dioceses, congregações, pastorais e instituições.
“Saio deste encontro com a certeza de que estamos diante de um caminho que precisa ser construído coletivamente. Fortalecer uma cultura do cuidado na América Latina e no Caribe é fortalecer uma Igreja que escuta, acolhe, previne, protege e não permanece indiferente diante de nenhuma forma de violência ou abuso.”
Mais do que um tema a ser debatido, conclui Ir. Maria Irene, o cuidado precisa se tornar uma prática permanente e transversal à missão eclesial.
“A cultura do cuidado não pode ser apenas um tema da Igreja; precisa tornar-se uma maneira de sermos Igreja.”

