Notícia

Nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, a Aldeia Akamassyron, na Terra Indígena Sororó, foi espaço de encontro, diálogo, formação e fortalecimento da luta dos povos indígenas durante o 3º Encontro da Juventude, com o tema “Juventude Aikewara: caminhos para o futuro”. A atividade reuniu jovens, lideranças indígenas, educadores, movimentos sociais, universidades e organizações parceiras para refletir sobre os desafios do presente e os caminhos para o futuro da juventude Aikewara.

REPAM-Brasil acompanhou o encontro com a participação de Vanalda Gomes, além de Cícero Romão Batista que esteve representando a REPAM Brasil no encontro de Juventude Aikewara Suruí, que esteve presente nos dois dias de atividades, contribuindo nas mesas, nos momentos de diálogo e na articulação com os jovens e as comunidades. Na abertura, Vanalda deu as boas-vindas aos participantes e, ao longo da programação, reforçou a importância de a juventude ocupar os espaços de participação, falar por si mesma e se preparar para representar seu povo, sua comunidade e sua aldeia.

Território, identidade e protagonismo juvenil

Um dos principais eixos do encontro foi o território compreendido como espaço de direito, identidade, memória e continuidade da vida dos povos indígenas. Os jovens destacaram que defender a Terra Indígena Sororó significa também proteger sua cultura, seus conhecimentos tradicionais, suas crianças e as próximas gerações.

Durante as mesas, a juventude reivindicou maior participação na construção das políticas públicas e oportunidades nas áreas de educação, saúde, esporte, cultura, formação profissional, tecnologia e geração de renda. Uma mensagem atravessou diferentes momentos do encontro: os jovens não querem que outras pessoas decidam por eles, mas desejam participar diretamente das decisões que dizem respeito às suas comunidades.

As discussões também chamaram atenção para os impactos que ameaçam os territórios e os modos de vida indígenas. Entre as preocupações apresentadas estiveram mineração, poluição, lixo, agrotóxicos, mudanças climáticas, desmatamento e os impactos provocados por grandes empreendimentos e infraestruturas próximas às comunidades.

Educação que respeite a cultura e os modos de vida indígenas

A educação teve lugar central nas discussões. Jovens, professores e lideranças defenderam uma Educação Escolar Indígena Diferenciada e de qualidade, que respeite a língua materna, os calendários, os costumes e a cultura dos povos.

Também foram relatados desafios enfrentados por estudantes indígenas para ingressar e permanecer nas universidades e a necessidade de aproximar as instituições de ensino dos territórios. Durante as discussões, foi reivindicado que professores e instituições respeitem o calendário e os costumes do povo indígena, além da valorização dos professores indígenas e dos educadores de língua materna.

Outro ponto levantado foi a necessidade de políticas públicas que garantam condições para que indígenas permaneçam no ensino superior. Os participantes ressaltaram que ocupar as universidades também é uma forma de resistência, de fortalecimento das comunidades e de preparação de novas lideranças.

Formação, oficinas e troca de experiências

A programação contou ainda com oficinas sobre Saúde Mental, Corpo e Território, Agroecologia, Elaboração de Projetos, Direitos Humanos e Juventude e Juventude e Mineração. Os espaços permitiram que os participantes compartilhassem experiências e discutissem alternativas para enfrentar problemas que atingem diretamente suas comunidades.

A relação entre território e saúde mental também ganhou destaque. Os debates mostraram como os impactos ambientais e as ameaças aos territórios interferem no bem-estar das comunidades, reforçando que cuidar da natureza, da cultura e do território também significa cuidar das pessoas.

No segundo dia, Vanalda Gomes fez uma síntese das atividades e convidou os participantes para a mesa dedicada aos movimentos sociais e parceiros. A programação reuniu representantes de diferentes organizações e instituições, entre elas REPAM-Brasil, CIMI, MIQCB, MST, Unifesspa, IFPA e UEPA, fortalecendo a construção de redes de apoio às comunidades e à juventude indígena.

O encontro também foi marcado pela valorização da Língua Materna Aikewara, por apresentações culturais, cantos, momentos de memória e pela homenagem ao professor Se’a Suruí, lembrado por sua contribuição à educação escolar indígena e à preservação da história, da língua e da cultura de seu povo.

Ao final dos dois dias, as lideranças agradeceram às organizações e instituições que contribuíram para a realização do encontro, entre elas a REPAM-Brasil, Instituto Zé Cláudio & Maria, CPT, MAM, Unifesspa, IFPA, UEPA, UFPA, MIQCB Regional Pará, MRS Ambiental, PDTSA e CIMI.

Para a REPAM-Brasil, acompanhar espaços como o Encontro da Juventude Aikewara significa caminhar junto aos povos e fortalecer redes de cuidado, defesa dos territórios e promoção de direitos, reconhecendo especialmente o protagonismo das novas gerações na continuidade das lutas e na construção do futuro da Amazônia.

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