No dia 21 de fevereiro, quando se celebra o Dia Internacional da Língua Materna, a Igreja na Amazônia reafirma a importância das línguas originárias como expressão viva da identidade, da espiritualidade e da resistência dos povos. A recente ordenação presbiteral do padre indígena Djavan André da Silva, do povo macuxi, na Diocese de Roraima, torna-se um testemunho concreto dessa realidade e um sinal de esperança para as comunidades amazônicas.

Natural da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, padre Djavan carrega consigo a história, a cultura e a língua de seu povo. Sua ordenação representa não apenas a realização de uma vocação pessoal, mas também o fortalecimento da presença de ministros indígenas que anunciam o Evangelho a partir de sua própria realidade, valorizando as línguas maternas como caminho de encontro, escuta e comunhão.
As línguas indígenas são portadoras de saberes ancestrais, memórias e modos próprios de compreender e cuidar da vida e do território. Preservá-las é garantir a continuidade das culturas e reconhecer a dignidade dos povos originários. No contexto amazônico, a língua materna é também um elemento essencial da espiritualidade e da vivência comunitária da fé.
A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) reconhece que a valorização das línguas originárias é parte fundamental do compromisso com uma Igreja com rosto amazônico, que se encarna nas culturas e caminha junto aos povos em defesa da vida e dos territórios. A presença de lideranças e ministros indígenas fortalece esse caminho e reafirma o protagonismo dos povos originários na missão da Igreja.
Neste Dia Internacional da Língua Materna, a REPAM reafirma seu compromisso com a defesa das línguas, culturas e identidades dos povos amazônicos, reconhecendo que proteger as línguas maternas é também proteger a memória, o território e o futuro da Amazônia.

