Em vídeo gravado durante ato realizado em Alter do Chão (PA), lideranças indígenas e moradores da região manifestam publicamente sua posição contra o decreto presidencial nº 12.600, que autoriza a concessão privada de hidrovias. No registro audiovisual, uma das lideranças afirma:
“Estamos aqui em Alter do Chão em um ato em defesa do rio Tapajós. A sociedade de Alter do Chão está, neste momento, dando uma resposta contra esse decreto presidencial. A resposta que damos ao presidente Lula é que ele seja revogado quanto antes. O rio Tapajós é a nossa rua, mas é muito mais do que isso: o rio Tapajós é a nossa vida.”
A manifestação registrada no vídeo ocorre em meio à mobilização de povos indígenas que, há dias, ocupam e bloqueiam instalações da empresa Cargill, em Santarém (PA), como forma de protesto contra medidas que, segundo as comunidades, foram adotadas sem consulta livre, prévia e informada.
A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) acompanha com atenção a mobilização. De acordo com o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA), que representa 14 povos da região, os projetos de dragagem e concessão do rio Tapajós avançam em desacordo com a Constituição Federal e com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura o direito de consulta aos povos indígenas.
As lideranças alertam que as intervenções previstas colocam em risco o equilíbrio ambiental do rio Tapajós, os territórios tradicionais e os modos de vida das comunidades, aprofundando conflitos socioambientais na região amazônica.
Ainda conforme destacado no vídeo, foi anunciada a realização de uma audiência pública nesta sexta-feira, no local da ocupação da Cargill, com a participação de representantes do governo federal. As comunidades esperam que o encontro resulte na revogação do decreto, apontado como uma medida que afronta diretamente os povos do Tapajós.
A escolha da Cargill como local do protesto, segundo os organizadores, simboliza a relação entre grandes empreendimentos logísticos, o avanço do agronegócio e os impactos cumulativos sobre os territórios indígenas e a floresta.
A REPAM reafirma sua solidariedade aos povos indígenas na defesa de seus direitos, de seus territórios e do cuidado com a Casa Comum, e reforça a importância do diálogo, da escuta e do respeito às comunidades tradicionais na construção de políticas públicas que afetam a Amazônia.

