Lideranças e defensoras de diversos povos originários se reuniram para exigir proteção de seus territórios, participação política e garantias para as mulheres defensoras da Amazônia. Com mística ancestral e uma firme defesa da vida e dos territórios amazônicos, mulheres indígenas de diferentes povos originários participaram, nos dias 8 e 9 de maio, do Primeiro Congresso de Mulheres dos Povos Originários, Defensoras da Casa Comum, realizado na cidade de Pucallpa.
Por: Equipe de Comunicações da REPAM Peru – CAAAP
O encontro reuniu lideranças femininas, sábias, artesãs e defensoras dos povos Shipibo-Konibo, Asháninka, Yanesha, Kakataibo, Yine e Kukama Kukamiria, que compartilharam experiências, preocupações e propostas diante das múltiplas ameaças enfrentadas pela Amazônia e por aqueles que a defendem. O congresso foi organizado pela CAAAP e pela REPAM Peru, em articulação com a ORAU e o Vicariato Apostólico de Pucallpa, com o apoio da CAFOD. Durante os encontros, foram abordados temas relacionados à defesa do território, aos direitos coletivos dos povos indígenas, à participação política das mulheres, à crise climática e ao cuidado integral da Casa Comum. Também foram realizados espaços de reflexão espiritual inspirados nos saberes ancestrais e em documentos como Querida Amazônia e Laudato Si’.
“O Congresso permitiu fortalecer a articulação entre mulheres de povos originários de diversos territórios amazônicos”, afirmou a irmã Ana María Palomino mml, integrante da equipe organizadora e membro da equipe do CAAAP e da REPAM Peru. Ela também destacou que esses espaços contribuem para dar visibilidade ao papel fundamental das mulheres indígenas como guardiãs das florestas, dos rios, da cultura e da espiritualidade de seus povos. Como resultado do encontro, as participantes divulgaram o pronunciamento “Vozes da Amazônia em defesa do território”, no qual exigiram do Estado peruano a titulação urgente das comunidades nativas, a proteção efetiva das defensoras indígenas e ações concretas diante do avanço das economias ilegais, do tráfico de pessoas e da extração ilegal de madeira.
No documento, também denunciaram o assédio, a criminalização e os assassinatos de líderes e lideranças indígenas na Amazônia, além de reivindicarem uma participação efetiva das mulheres indígenas nos espaços de tomada de decisão sobre seus territórios e recursos naturais. “O território não é apenas terra; é nossa mãe, nossa identidade, nossa farmácia e nosso sustento”, afirmaram as participantes no pronunciamento coletivo, reafirmando seu compromisso com a defesa da vida e da Amazônia.
O congresso foi concluído com um chamado às autoridades e à sociedade em geral para reconhecer a contribuição das mulheres indígenas na proteção da biodiversidade, dos direitos humanos e na construção de um futuro sustentável para os povos amazônicos.




