O Projeto Raízes do Magu, iniciativa da ONARMA, integra-se à Campanha Água na Moringa, promovida pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), como uma ação concreta de educação ambiental, reflorestamento e vivência da fé, realizada no município de Santana do Maranhão, na Diocese de Brejo. Inspirado pela espiritualidade cristã e pelo chamado à Ecologia Integral, o projeto articula formação, prática comunitária e compromisso pastoral, tendo como eixo o cultivo da moringa (Moringa oleifera) e o cuidado com as águas e os territórios.

Como parte do processo formativo, foram realizadas três ações educativas:
Reflexão sobre a realidade do Baixo Parnaíba e os impactos do agronegócio, com a professora Maria Valcirene Oliveira Braga; estudo sobre o solo de Santana do Maranhão e o cultivo da moringa, com o professor Wellington Silva; atividade na UMI Deputado Júlio Monteles sobre a importância da moringa na alimentação saudável, com o nutricionista Antônio Fonseca. Essas ações culminaram na construção coletiva do canteiro e no plantio das sementes, fortalecendo o trabalho comunitário.
Como gesto simbólico e pastoral, adolescentes crismandos receberam uma muda de moringa, assumindo um compromisso socioambiental ligado ao sacramento da Crisma e do cuidado da criação. Cada muda simboliza um pacto com a vida, com o território e com as futuras gerações.
O projeto contou com a participação direta de 69 pessoas, sendo 20 mulheres, 15 homens e 34 adolescentes, envolvendo agricultores, estudantes e moradores das comunidades, o que reafirma seu caráter comunitário e intergeracional.
Em sintonia com a Encíclica Laudato Si’, com a Campanha da Fraternidade 2025 – Ecologia Integral e com o Documento Querida Amazônia, o projeto reafirma que fé e cuidado com a criação caminham juntos.
À luz da espiritualidade da Ecologia Integral, o acompanhamento cotidiano do cultivo das moringas revela o sentido profundo da iniciativa nos territórios. Como destaca Arlete Gomes, que acompanha de perto o desenvolvimento do projeto:
“O cultivo da moringa nos territórios é sinal de esperança e de autonomia no cuidado da água. A planta fortalece a vida das famílias e o compromisso comunitário na defesa da Casa Comum.”
Essa experiência dialoga com o sonho expresso pelo Papa Francisco no Documento Querida Amazônia:
“Sonho com uma Amazônia que cuide dos direitos dos mais pobres, dos povos originários, dos últimos, para que sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida.”
(Papa Francisco, Querida Amazônia, n. 7)
O Projeto Raízes do Magu expressa esse sonho ao unir juventude, espiritualidade e compromisso ecoteológico, cuidando da terra e das águas como expressão concreta da fé cristã e sinal de esperança para os territórios.

