Notícia

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) manifesta seu apoio à carta aberta assinada por diversas redes pastorais com presença territorial na América Latina, que solicita ao Vaticano uma escuta atenta e comprometida do clamor das comunidades afetadas pela atividade minerária. A carta denuncia os impactos sociais, ambientais e espirituais provocados pela presença violenta de grandes empreendimentos extrativistas nos territórios e pede fidelidade da Igreja à opção preferencial pelos pobres e pela Casa Comum.

A manifestação ganha especial relevância no contexto da memória dos sete anos do crime socioambiental de Brumadinho (MG), ocorrido em 25 de janeiro de 2019, quando o rompimento da barragem da mineradora Vale resultou na morte de 272 pessoas. O episódio, um dos mais graves da história recente do Brasil, tornou-se símbolo das consequências do modelo extrativista predatório, que transforma bens comuns em mercadoria, destruindo comunidades, rios e modos de vida.

Com dor e preocupação, as redes pastorais tomaram conhecimento, por meio do Vatican News, de que, na véspera dessa data simbólica, empresários do setor energético e de minerais críticos que atuam na América Latina e no Caribe participaram de uma audiência com o Papa Leão XIV. Segundo a divulgação oficial, o encontro buscou identificar ameaças e oportunidades para o setor e discernir ações futuras, com a justificativa de promover uma vida digna e abundante, em consonância com o ensinamento da Igreja.

A carta alerta, no entanto, que empresas mineradoras frequentemente utilizam estratégias de cooptação de lideranças religiosas para melhorar sua imagem pública e legitimar suas operações em contextos marcados por conflitos, violações de direitos e resistência comunitária. Na experiência pastoral cotidiana, agentes que caminham junto às populações afetadas conhecem os efeitos dessa prática, que instrumentaliza a fé e fragiliza a autonomia das comunidades.

A REPAM reafirma que o diálogo é um valor fundamental da missão da Igreja, mas que ele só é autêntico quando parte da escuta de todos os atores envolvidos — especialmente das vítimas. Conforme recorda a tradição cristã e o magistério recente, a Igreja é chamada a se posicionar a partir do sofrimento dos pobres e da terra, como nos ensinam Jesus de Nazaré e a Encíclica Laudato Sí.

A carta também recorda o testemunho de agentes pastorais perseguidos e assassinados por defenderem seus territórios, como o mártir Juan López, da diocese de Trujillo, em Honduras, que denunciava a criminalização das comunidades que resistem à mineração e o uso do discurso do “desenvolvimento” para justificar a destruição da vida.

Nesse mesmo caminho, redes como a REMAM e a Red Iglesias y Minería vêm, há anos, denunciando a escalada da violência associada ao extrativismo mineral. Em documentos públicos, essas articulações alertam para a criminalização de comunidades inteiras e rejeitam a falsa neutralidade diante de conflitos socioambientais, reafirmando que a Igreja deve se posicionar ao lado dos pobres e da Criação.

Em 2024, bispos de regiões afetadas pela mineração se reuniram no Panamá e publicaram, em parceria com o CELAM, as Orientações Pastorais das Igrejas Católicas frente à Mineração, convidando toda a Igreja a escutar os gritos da Mãe Terra e dos mártires das comunidades impactadas. O documento reconhece que povos indígenas, comunidades tradicionais, afrodescendentes, camponesas e urbanas possuem alternativas de vida baseadas na relação harmônica com os territórios, os rios e as florestas.

Nesse espírito, a REPAM se une ao apelo para que o Papa Leão XIV se encontre com as vítimas da mineração e dedique tempo real e significativo à escuta de suas histórias, sonhos e projetos, assim como dos agentes pastorais que há anos caminham com essas comunidades, partilhando dores, resistências não violentas e esperanças enraizadas na espiritualidade do cuidado.

Por fim, a REPAM reforça o chamado da Laudato Sí à proteção da Casa Comum e recorda o posicionamento das Igrejas do Sul Global diante da COP30, que alerta para os riscos das chamadas “falsas soluções” para a crise energética. Defender a vida, hoje, é garantir um futuro justo, saudável e digno para as gerações presentes e futuras.

Confira a carta aqui.

Uno de ellos, es el mártir Juan López, ministro de la palabra de la diócesis de Trujillo, en
Honduras, que días antes de ser asesinado por oponerse a la minería en su comunidad,
nos recordaba:
“En Honduras estamos despertando lentamente la necesidad de recuperar y cuidar
la tierra, el agua, los bosques, el ambiente, los territorios en general. Hemos
emprendido luchas en todo el país y se crispan los ánimos entre vecinos. Las
empresas cooptan dirigentes que por menos de treinta monedas ponen su vida al
servicio de los grandes intereses empresariales, activan junto a las empresas toda
la artillera mediática y condenan a comunidades que se resisten a ceder, bajo el
discurso de «oponerse al desarrollo».”
Reiteramos la posición de tantas redes pastorales y comunidades de fe, que desde su
presencia en el territorio, manifiestan su preocupación por la escalada de violencia que trae
el extractivismo, como la expresada por REMAM rechazando la minería como resultado de
los clamores de los territorios que acompaña. También la Red Iglesias y Minería, en la
“Carta Abierta a los Obispos y Pastores de América Latina”, publicada en enero de 2016,
manifiesta la preocupación por el aumento de la “violencia y la criminalización de personas
y comunidades enteras que se posicionan críticamente frente a la minería en América
Latina”. En esa misma Carta se critica con firmeza la estrategia de las empresas mineras
que, al no lograr demostrar que sus actividades son sostenibles, buscan el apoyo de
entidades que gozan de credibilidad ante el pueblo. “Las comunidades esperan que la
Iglesia no mantenga posiciones ‘neutrales’ frente a los conflictos generados por la minería.
Reconociendo ‘la inmensa dignidad de los pobres’ (LS 158), la Iglesia debe seguir
asumiendo su clamor y posicionarse a su lado y al lado de la Creación.”
En 2024, cerca de veinte obispos de América Latina y El Caribe que viven en regiones
amenazadas o en conflicto por causa de la minerìa se encontraron en Panamà para
discernir caminos pastorales junto a su pueblo. En seguida, publicaron con el CELAM
“Orientaciones Pastorales de las Iglesias Católicas frente a la Minería”, invitando a los
pastores y líderes religiosos a escuchar los gritos de la madre Tierra y de los mártires de
las comunidades afectadas por el extractivismo. Nuestras comunidades ancestrales,
indígenas, afros, campesinas y urbanas tienen una serie infinita de alternativas de vida que
toman en cuenta la relación armónica con el ambiente, con los ríos, los bosques y el
conjunto de la Creación. Dialoguemos y busquemos salidas que garanticen la vida de los
seres humanos y no humanos que somos creaturas de Dios.
En este sentido, insistimos en la importancia de que el Papa León XIV se encuentre con las
víctimas de la minería y dedique un tiempo real y significativo a la escucha de sus sueños,
visiones y proyectos, así como de los líderes religiosos que desde hace años caminan junto
a estas comunidades, compartiendo sus dolores, resistencias no violentas y esperanzas
desde su eco – espiritualidad.
Pongamos en práctica el llamado de la Encíclica Laudato Sí a proteger y cuidar la Casa
Común y tengamos también en cuenta el documento de las Iglesias del Sur Global frente a
la COP 30, que nos anima a no aceptar “falsas soluciones” a los desafíos energéticos del
momento y nos convoca a garantizar un futuro saludable para las futuras generaciones.
Señor, tómanos a nosotros con tu poder y tu luz,
para proteger toda vida,
para preparar un futuro mejor,
para que venga tu Reino
de justicia, de paz, de amor y de hermosura.
FIRMAN: – – – – – – – –
Red Iglesias y Minería – RIM
Comisión Brasileira Justicia y Paz
Red Eclesial Mesoamericana – REMAM
Red Eclesial PanAmazónica – REPAM
Red Eclesial Gran Chaco y Acuífero Guaraní – RECHAG
Rede Eclesial Platina
Pax Christi Internacional
JPIC Commission Union of Superiors General (USG) and the International Union of
Superiors General (UISG)

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