Todos os anos, entre os meses de junho e julho, comunidades, pastorais, movimentos sociais e organizações populares se reúnem em diferentes territórios da Amazônia para celebrar as Romarias da Terra e das Águas. Mais do que manifestações de fé, esses encontros são expressão de resistência, memória e compromisso com a defesa da vida, dos povos e da Casa Comum.
As romarias recordam homens e mulheres que deram a própria vida na luta pelos direitos dos povos do campo, das florestas e das águas, vítimas da violência provocada pela disputa por terras, pela exploração predatória dos territórios e pelos interesses do capital. Ao mesmo tempo, renovam o compromisso coletivo com a justiça socioambiental e a proteção da Amazônia.
Neste período, destacam-se três importantes mobilizações na região amazônica: a 11ª Romaria dos Mártires da Floresta, realizada em junho, nos municípios de Nova Ipixuna e Marabá (PA); a 19ª Romaria da Floresta, que acontece em julho, em Anapu (PA); e a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada, realizada em Ribeirão Cascalheira (MT).
Esses encontros reúnem milhares de pessoas entre agentes de pastoral, comunidades eclesiais, movimentos populares, organizações sociais, lideranças indígenas, quilombolas, agricultores familiares, juventudes e defensores dos direitos humanos. Unidos pela fé e pela esperança, os participantes reafirmam que a memória dos mártires continua inspirando a luta pela preservação da floresta, pela garantia dos direitos dos povos tradicionais e pela construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Em sintonia com sua missão de promover a defesa da vida e dos territórios amazônicos, a REPAM-Brasil reconhece a importância das Romarias da Terra e das Águas como espaços de espiritualidade, denúncia e incidência. Ao recordar aqueles e aquelas que tombaram na defesa da Amazônia, as romarias também convocam novas gerações a seguirem cultivando o cuidado com a Casa Comum e o compromisso com os povos que nela vivem.

