Invocação ao Espírito Santo, cânticos, símbolos e cores contribuíram para que a primeira oração da Assembleia Especial para a Região Pan-Amazônica fosse realizada com muita profundidade. Esse foi o primeiro momento de um dia intenso de trabalhos na abertura do Sínodo dos Bispos, realizado em Roma. Discursos do Papa Francisco, do Secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, e de Relator Geral do Sínodo, cardeal Cláudio Hummes, deram sequência aos trabalhos que foram finalizados no início da noite com a eleição da comissão de redação do documento final da Assembleia e da comissão de informação.

A oração foi realizada diante do túmulo de São Pedro, na Basílica Vaticana. Cantos da Amazônia foram entoados, seguido pel invocação ao Espírito Santo, com o Veni Creator. Em seguida, em procissão, os participantes foram para a sala sinodal com cartazes com imagens de mártires da Amazônia e frases da encíclica Laudato Si’, além de símbolos da região amazônica, como um barco, uma rede e objetos indígenas.

Joaquim Andrade, especialista em Pastoral e Direitos Humanos, membro da União Brasileira de Educação Católica/UBEC, perito convocado para o Sínodo se emocionou com a oração. “Foi muito significativo, foi um momento de muita intensidade, muito bonito ver o papa saindo da Basílica de São Pedro com esse grupo de pessoas, com esses símbolos para esse momento”, comentou o perito.

 

O Espírito Santo é o protagonista do Sínodo

Na chegada à Sala Paulo VI, o papa Francisco saudou os participantes e agradeceu a todos pelo trabalho realizado desde Porto Maldonado, quando ele oficialmente abriu o Sínodo. Em seguida, afirmou que o Sínodo para a Amazônia tem 4 dimensões: a dimensão pastoral, a dimensão cultural, a dimensão social e a dimensão ecológica. “A primeira, a dimensão pastoral, é essencial, é a que abarca tudo”, disse Francisco na sala sinodal.  “Anúncio que não se pode confundir com proselitimos, mas aproximamo-nos devemos considerar a realidade amazônica com este coração pastoral, com olhos de discípulos e de missionários”, destacou o pontífice.

Ainda no seu discurso de abertura, o papa alertou sobre o afã de querer domesticar os povos originários na missão. “Quando a Igreja se esqueceu disso, de como tem que se aproximar de um povo, inculturizou-os e chegou até a menosprezar certos povos. E quantos são os fracassos dos quais hoje lamentamos. O centralismo homogeneizante e homogeneizador não deixou aparecer a autenticidade da cultura dos povos”, alertou Franscisco

De acordo com o papa, “Sínodo é caminhar juntos sob a inspiração guia do Espírito Santo. O Espirito Santo é o protagonista do Sínodo”. Ele ainda alertou os participantes do Sínodo: “Por favor, não o expulsem da sala. Fizeram as consultas, discutiram nas conferências episcopais, no conselho pré-sinodal, elaborou-se o Instrumentum Laboris, que como sabem é um texto mártir, destinado a ser destruído, porque ele é como um ponto de partida para o que o Espírito vai fazer em nós”.

 

Um sínodo para toda a Igreja

Após o discurso do papa Franscisco, o cardeal Lorenzo Baldisseri, Relator Geral do Sínodo, fez memória de todo o processo do Sínodo até agora. E apresentou a proposta metodológica dos trabalhos que serão realizados nos próximos dias. Baldisseri fez questão de lembrar o caráter universal do Sínodo. “Por este motivo a participação foi ampliada a Bispos provenientes de outras Igrejas particulares e organismos eclesiais regionais e continentais. Em outras palavras, é toda a Igreja universal que quer dirigir o olhar à Igreja na Amazônia e assumir no coração os seus desafios, as suas preocupações e os seus problemas, porque no fundo todos nós devemos nos sentir parte desta aldeia global na qual vive e palpita a única Igreja de Jesus Cristo”, destacou o cardeal.

 

Sínodo: serviço à mesa dos pobres

O relator geral do Sínodo, o Cardal Cláudio Hummes, que é presidente da REPAM e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, discursou na segunda parte da manhã. Ele retomou o processo de escutas realizadas no processo de preparação do Sínodo e apresentou alguns desafios e gritos dos povos e do território da Pan-Amazônia.

Para o cardeal, a missão da Igreja na Amazônia deve ser o centro das discussões do Sínodo. “É um sínodo da Igreja e para a Igreja. Não uma Igreja cerrada em si mesma, mas integrada na história e na realidade do território – no caso, a Amazônia – atenta aos gritos de socorro e às aspirações da população e da “casa comum” [a criação],  aberta ao diálogo, sobretudo ao diálogo inter-religioso e intercultural, acolhedora e desejosa de  compartilhar um caminho sinodal com as outras Igrejas, religiões, ciência, governos, instituições, povos, comunidades e pessoas, respeitando as nossas diferenças,  no intuito de defender e promover a vida das populações da área, especialmente dos povos originários e a biodiversidade do território na região amazônica”, afirmou Hummes.

Ao final de seu discurso, relator do Sínodo chamou os padres sinodais para agirem com coragem em vista dos caminhos novos para a Igreja e que estejam a serviço. “Este sínodo é como uma mesa que Deus preparou para os seus pobres e nos pede a nós que sejamos aqueles que servem à mesa”, afirmou o cardeal Hummes que em seguida foi aplaudido longamente.

Ao longo do dia, os padres sinodais elegeram também duas comissões no Sínodo, a comissão de redação do documento final e a comissão de informação. Dom Neri José Tondello, bispo de Juína/MT, avaliou o primeiro dia como muito positivo e fraterno. “Espero que ele continue assim e se construa numa colegialidade em vista de uma Igreja batismal, uma Igreja pastoral, numa conversão ecológica, numa conversão sinodal”, concluiu o bispo.

 

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