Notícia

No período da tarde, o Tapiri ecumênico e inter-religioso — articulação que integra espiritualidade, território e ação, da qual a REPAM faz parte — promoveu uma roda de falas (sem mesa formal) para pactuar estratégias, mapear agendas em jogo, desenhar ações conjuntas e formular mensagens, dirigidas à Cúpula dos Povos e à COP30, em Belém (PA). A facilitação lembrou que o encontro dá continuidade aos debates da manhã sobre tendências da cooperação internacional (EUA, União Europeia, China, Alemanha e fundações privadas), deslocando agora o protagonismo para as organizações e redes da sociedade civil. 

Entre as intervenções, ganhou destaque a participação de Eliane Gentil (REPAM-Brasil), que cobrou adequações concretas para que a cooperação de fato alcance quem cuida da floresta: “Muitos editais não dialogam com a nossa realidade e linguagem. Precisamos de formação e de acesso, mas também de soluções para entraves que desmobilizam nossas organizações — da fila de cartório à burocracia que faz projetos perderem o tempo do território.” Eliane também chamou atenção para os impactos de grandes empreendimentos energéticos (eólicos e solares) que avançam sem beneficiar comunidades locais: “Energia renovável, sim — mas com justiça territorial e participação das populações que já protegem esses biomas.” 

Em uma fala contundente, Adriano Karipuna, liderança indígena de Rondônia, reforçou a necessidade de que os financiamentos internacionais cheguem diretamente às organizações de base: 

“Quem sabe da nossa realidade somos nós que estamos no território. Queremos cooperação direta com nossas associações — temos capacidade administrativa, técnica e jurídica para executar nossos próprios projetos.”  

As falas reforçaram pontos convergentes: financiamento direto às associações e coletivos de base; simplificação de exigências e prazos compatíveis com a logística amazônica; reconhecimento da diversidade cultural e dos ciclos produtivos locais; e fortalecimento de redes ecumênicas, feministas, indígenas, quilombolas e camponesas como sujeitos políticos da cooperação. Ao final, encaminhou-se a consolidação de contribuições para uma carta do Programa de Articulação e Diálogo sobre Cooperação (PAD) — responsável pela programação do dia — sintetizando as demandas e propostas emergentes da roda, com foco em acesso, justiça climática e soberania dos territórios. 

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