Lideranças dos territórios amazônicos acompanharam hoje a roda de diálogo “Panorama Atual das Políticas de Cooperação Internacional: União Europeia, EUA, China e o papel das fundações privadas”, realizada no Tapiri Ecumênico e Inter-religioso, articulação que reforça a importância de integrar espiritualidade, território e ação na construção de respostas coletivas diante dos desafios globais. A atividade contou com a presença da REPAM, que integra essa articulação, e foi mediada por Soraya Tupinambá, reunindo pesquisadores, representantes da filantropia e redes da sociedade civil para debater o cenário atual da cooperação internacional.
Participaram da mesa Aurélio Viana, que abordou o papel dos Estados Unidos e o enfraquecimento do multilateralismo; professora Maria Elisa Pessina, que destacou as estratégias da União Europeia e da Alemanha, o programa Global Gateway e a política externa feminista alemã; professor Renan Holanda (UFPE), que apresentou a atuação da China e seus fóruns regionais de cooperação; e Jonathas Azevedo (Rede Comuá), que analisou o papel das fundações privadas e do ecossistema brasileiro de fundos territoriais e de justiça social.
Durante sua fala, Aurélio Viana ressaltou que o momento atual exige atenção redobrada aos rumos da cooperação global e à defesa dos espaços multilaterais. “Estamos vivendo uma geopolítica complexa, em que o multilateralismo sofre ataques significativos. É justamente agora que precisamos reafirmar a importância da cooperação entre os povos e da solidariedade internacional. A ONU e as COPs permanecem como espaços essenciais de esperança e reconstrução coletiva”, afirmou. Ele também destacou o protagonismo dos povos e comunidades tradicionais: “A novidade dessa COP não está apenas nos acordos oficiais, mas na força dos movimentos e territórios que resistem, constroem e apontam novos caminhos de futuro.”
O debate ressaltou que, apesar dos desafios, é essencial defender e fortalecer os mecanismos de cooperação global, sobretudo no enfrentamento da crise climática. Também foi destacada a chamada “ambientalização do financiamento”, em que as agendas de clima, biodiversidade e transição energética se tornaram centrais, mas muitas vezes deixam de lado os direitos humanos e territoriais. As lideranças presentes enfatizaram que os recursos internacionais e privados precisam chegar efetivamente ao chão dos territórios, fortalecendo o protagonismo de povos indígenas e comunidades locais na construção de soluções socioambientais.
Foram discutidos ainda os riscos de alinhamento entre cooperação internacional e interesses econômicos, especialmente na União Europeia, e a necessidade de garantir maior transparência e monitoramento sobre os fluxos financeiros e impactos de empresas transnacionais. No campo da filantropia, os participantes destacaram a importância dos novos compromissos assumidos com povos e comunidades tradicionais e a necessidade de ampliar a participação de organizações da sociedade civil brasileira na governança dos projetos.
Ao final, a mediação reforçou que “competir e cooperar fazem parte de uma mesma ecologia da cooperação”, e que o propósito maior das alianças internacionais deve ser o de viabilizar a defesa dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais dos territórios amazônicos — integrando fé, compromisso e ação concreta em favor da vida.





